25 de maio de 2026
Regional

Programa quer aliviar HC de Botucatu

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - A exemplo do que ocorre no Hospital Estadual (HE) de Bauru, metade do atendimento prestado pelo Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru) também é para resolver casos simples que poderiam ser solucionados nas unidades básicas de saúde.

Ciente disso, o Ministério da Saúde lançou no mês passado um programa de reestruturação dos hospitais de ensino (que inclui o HC de Botucatu) com o objetivo de otimizar o atendimento e fazer com que as unidades básicas absorvam os casos de baixa complexidade que atualmente chegam até o HC.

Com isso, o hospital, mantido pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp), poderia investir mais na sua especialidade, que são as ações de alta complexidade, como transplantes e cirurgias cardíacas ou vasculares.

Com o programa de reestruturação, gestores de saúde e hospitais vão discutir e especificar as metas que deverão ser cumpridas. De acordo com a nova política, essas metas serão formuladas levando em conta a realidade da rede de saúde local e as necessidades da população a ser atendida.

Para poder fazer parte do programa, o HC de Botucatu deverá obedecer a alguns critérios do Ministério da Saúde, que serão reavaliados a cada dois anos. Ao todo, são 17 itens. Entre eles estão a exigência de realizar pesquisas e de ter adotado a política nacional de humanização do Sistema Único de Saúde (SUS).

O HC já requisitou a vistoria do ministério e aguarda para breve a visita dos técnicos para celebrar o novo convênio que inclua o hospital no programa de reestruturação.

Além de desafogar o atendimento, o programa deverá ainda aumentar os recursos destinados aos hospitais de ensino. Em 2003, foram R$ 481 milhões. Para este ano, o Ministério da Saúde destinará mais R$ 100 milhões.

De acordo com a assessoria de imprensa da Faculdade de Medicina, o hospital vive uma expectativa muito grande em fazer parte do programa por entender que isso resolverá alguns problemas financeiros vividos atualmente pelo HC.

O principal problema, segundo a assessoria, é ter de receber um teto pelo atendimento. Ou seja, mesmo que o hospital atenda mais do que o permitido, não é repassado mais dinheiro por isso. Conseqüentemente, a instituição passa a acumular prejuízos.

Velha reivindicação

“Isso cria uma distorção muito grande. Como (o HC) é um hospital de ‘porta aberta’ (que não atende apenas casos de alta complexidade), ele acaba atendendo muito mais do que é destinado pelo SUS. Fica sempre um buraco, que é coberto pela universidade. Essa é uma velha reivindicação dos hospitais universitários que agora está sendo reestudada”, informou a assessoria.

A partir da implantação da política de reestruturação, os hospitais passarão a receber também pela produção. Será um orçamento misto. Enquanto as ações de média complexidade continuarão sendo remuneradas por um valor fixo (teto), as de alta complexidade serão pagas de acordo com o serviço realizado.

Para que o programa funcione e o HC de Botucatu passe a atender principalmente os casos mais complicados, a assessoria do hospital disse que será preciso um esforço dos administradores de saúde para reforçar o atendimento na rede básica nos municípios.

Sem isso, os pacientes com dor de cabeça, por exemplo, continuarão procurando o HC em busca de tratamento, sendo que o problema poderia ser resolvido nas unidades básicas.

De outros Estados

De acordo com as estatísticas apresentadas pela assessoria de imprensa, o HC de Botucatu atendeu no ano passado pacientes de 250 municípios paulistas e de 60 municípios de outros Estados.

Mesmo após a implantação do programa, a assessoria garante que o hospital não deixará de atender um problema simples se for procurado. “Não vamos recusar pacientes, eles continuarão sendo atendidos.”

De todos os casos que dão entrada no Pronto-Socorro (PS) do HC, 60% poderiam ser resolvidos nas unidades básicas, segundo a assessoria. O problema seria o mesmo verificado em outros hospitais.

Para contornar o problema em Botucatu, o HC criou há cerca de três meses uma equipe de pré-acolhimento para fazer uma espécie de triagem dos pacientes que chegam ao local. Antes de serem atendidos no PS, eles passam por um médico, que faz uma avaliação inicial e encaminha para atendimento apenas casos de emergência. Os demais são diagnosticados e medicados por ele mesmo, evitando a sobrecarga do PS.