31 de maio de 2026
Regional

Projeto não tem apoio dos sindicatos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Se o Ministério Público (MP) apóia a luta dos vereadores Antenor Zago (PDT) e José Carlos Zanatto (PP) para acabar com as queimadas, o mesmo não pode ser dito dos sindicatos patronal e dos trabalhadores. Ambos são contrários à proposta.

Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, o fim das queimadas representaria risco à saúde dos trabalhadores, queda na produtividade e desemprego.

Segundo ele, quando a colheita é feita com a cana “crua” (sem queimar) o risco de ataque de animais peçonhentos como cobra e aranha é muito maior. Além disso, Brandão argumenta que, enquanto a média de colheita por trabalhador é de dez toneladas de cana por dia, sem a queima ela cairia para cerca de três toneladas diárias.

Caso o produtor optasse por substituir parte da mão-de-obra por máquinas colheitadeiras encontraria um outro obstáculo. Segundo Brandão, o preço médio de cada máquina é de R$ 700 mil. Por isso, só as grandes empresas teriam condições de comprá-las.

Mesmo assim sua utilização seria limitada. As colheitadeiras não conseguem trabalhar em terreno com declive acima de 12%. Cada máquina representaria a dispensa de cerca de 100 trabalhadores, segundo o sindicato.

Para que seja implementado o fim das queimadas, Brandão disse que será preciso um tempo para adaptação e máquinas com preços mais baixos. “Isso só se dará a médio prazo”, acredita. “Eu sei que o carvãozinho incomoda, mas só poderemos acabar com ele gradativamente.”

Pressão

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaú, Hermínio Stefanin, foi mais longe na defesa da continuidade da queima da cana. Segundo ele, se for preciso os trabalhadores irão até a Câmara para pressionar os vereadores a votarem contra o projeto de lei.

“Para o trabalhador (o fim das queimadas) seria pior”, opina o presidente. De acordo com ele, é mais prático cortar a cana queimada e mais arriscado trabalhar em um canavial “in natura”, por causa dos riscos que os animais peçonhentos representariam.

A mecanização da colheita não assusta tanto. Segundo Stefanin, pelo menos 30% da mão-de-obra teria de ser mantida para cortar a cana nos terrenos com declive, onde as colheitadeiras não conseguem trabalhar.

Essa quantidade, segundo ele, seria o suficiente para empregar todos os trabalhadores da região e ainda sobraria vaga para cortadores de outros Estados. De acordo com estatística do sindicato, os canaviais da região de Jaú e Lençóis Paulista empregam atualmente cerca de 25 mil trabalhadores.