09 de julho de 2026
Rural

Paulistânia recupera 50% de vicinais

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Um trabalho de adequação e conservação de estradas rurais já recuperou aproximadamente 50% das vicinais de terra do município de Paulistânia (48 quilômetros a Sudoeste de Bauru). Iniciado há cerca de seis anos, o programa tem investido na recomposição dos leitos das estradas, disciplinando o escoamento de águas pluviais e evitando problemas como a erosão e o assoreamento de rios e córregos. Além da preservação do meio ambiente, a recuperação garante a trafegabilidade permanente do trecho e escoamento da produção agrícola.

Ao todo, 150 quilômetros de estradas já foram readequados na zona rural de Paulistânia, de acordo com o engenheiro agrônomo Rui Donizete Casarin, secretário de Agricultura e Obras do município. As obras têm sido realizadas com recursos da prefeitura e do governo do Estado.

Casarin afirma que, antes do trabalho de recuperação, a ação das enxurradas criava sérios problemas nas vicinais de terra do município, como a formação de barrancos instáveis, atoleiros e desnível de solo. Entretanto, por muitos anos, “passar a máquina” foi a única opção utilizada para amenizar essa degradação. O método, voltado para práticas de escavação e raspagem, resolvia os problemas apenas temporariamente e desgastava o leito das vicinais.

Além disso, especialmente no verão - quando ocorrem chuvas com maior intensidade - o trabalho era repetido inúmeras vezes, exigindo gastos constantes por parte do poder público.

Com os projetos de readequação, o município passou a atacar o problema por meio de soluções que disciplinam o escoamento das águas, como a elevação do leito das estradas.

As obras - que incluem a remoção de barrancos laterais, implantação de curvas de nível contínuas, proteção vegetativa de taludes e sistema de drenagem (canaletas e saídas laterais, caixas de infiltração, abaulamento do leito etc) - canalizam a água das chuvas para dentro dos terrenos vizinhos, evitando que a enxurrada arraste solo para os mananciais e que o leito de pista seja deformado.

“Subindo o leito de estrada, você consegue disciplinar a água, fazendo com que ela não corra mais no leito, mas nas canaletas. Nós fizemos com que a água seja infiltrada no solo, impedindo que ela escorra para os rios e córregos”, explica o engenheiro.

Também fazendo parte do trabalho de recuperação, têm sido realizadas intervenções de baixo impacto ambiental, como a utilização de técnicas de calçamento do solo com material granular (cascalho, argila, concreto), que aumentam a capacidade de suporte do leito da estrada.

“A capacidade de suporte é a resistência que o leito tem que ter para resistir ao trânsito de veículos. Ou seja, o leito da estrada passa a ser firme, fixo, de tal forma que não deforme com a ação dos veículos”, diz.

Casarin afirma que, com as obras, a redução dos custos com manutenção das estradas tem sido significativa. Segundo ele, em uma das vicinais, após o término do trabalho de recuperação, o município conseguiu atingir uma economia de 90% no custo operacional de máquinas.

“Paramos de degradar o meio ambiente nesse trecho e tivemos uma economia de 90% no custo operacional de máquinas. Antes, a cada 20 dias tínhamos que passar a máquina no local, fazendo um desgaste no leito da estrada”, destaca.

Dentro dos projetos de recuperação, nos últimos anos foram investidos no município cerca de R$ 340 mil pelo programa Melhor Caminho, realizado pela Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) e Secretaria de Estado da Agricultura. O programa transfere às prefeituras tecnologia para a recuperação e manutenção das estradas de terra. Também foram investidos cerca R$ 108 mil por meio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e R$ 120 mil por meio de projetos da prefeitura.

Segundo Casarin, cerca de 7% do Orçamento do município tem sido destinado nos últimos anos a trabalhos de recuperação das estradas rurais.

Incentivo

Casarin afirma que as estradas rurais estão sendo recuperadas com o objetivo de incentivar a atividade agrícola no município. “Tudo isso nós estamos fazendo para fomentar, incentivar o produtor”, diz o secretário, ressaltando que cerca de 170 produtores rurais foram beneficiados com os projetos de readequação das vicinais de terra.

A agricultura é a base da economia de Paulistânia. Cerca de 80% da fonte de renda do município provém de atividades agrícolas, como a cultura de cana-de-açúcar e a fruticultura.

Segundo o engenheiro agrônomo, o trabalho que vem sendo desenvolvido em Paulistânia está servindo de modelo para outros municípios. “Eu tenho recebido a visita de representantes de mais de 15 municípios do Estado. O intuito é transferir a tecnologia (aplicada em Paulistânia)”, diz.

A tecnologia tem sido transferida também para os produtores rurais, que têm a possibilidade de aplicar as técnicas de recuperação dentro de sua propriedade.