09 de julho de 2026
Polícia

Ferradura Mirim tem o 5º homicídio

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Assassinado com dois tiros na nuca e um no tórax, Alessandro Ezequiel Fogaça, 23 anos, tornou-se ontem pela manhã a quinta vítima de homicídio registrada só neste ano no bairro Ferradura Mirim. Com a ocorrência, o número de pessoas mortas em Bauru sobe para 44 conforme os cálculos do JC e para 39 de acordo com a estatística da Polícia Civil (leia mais abaixo).

As causas do crime, ocorrido na esquina das ruas 12 e 6, até ontem ainda eram desconhecidas. Fogaça, identificado ontem à noite, estava sem documentos. Portava apenas um cartão telefônico, algumas moedas e um bilhete, que não trouxe pistas sobre o crime, informa o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia.

Os objetos foram apreendidos e encaminhados à DIG, que instaurou inquérito para apurar o caso. Simultaneamente, o homicídio também será investigado pelo 4º Distrito Policial (DP), responsável pela área onde o crime ocorreu.

“Vamos aguardar o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que vai apontar a trajetória dos projéteis, e do Instituto de Criminalística (IC), que vai mostrar as circunstâncias do fato”, diz o delegado do 4º DP, Dinair José da Silva.

O JC apurou que a polícia já tem um suspeito do crime, mas evita comentar sobre o assunto para não atrapalhar as investigações. Se ele for localizado e a polícia confirmar que o assassinato foi motivado por razão fútil, traição ou ocorreu numa emboscada, o responsável pode ser condenada até a 30 anos de prisão, informa Silva.

Bairro

O delegado reconhece que o Ferradura Mirim, dentre os bairros de abrangência do 4º DP, chama atenção pelo número de homicídios. No entanto, a região que concentra a maior incidência de assassinatos é a atendida pelo 1º DP, responsável por áreas como o Parque Jaraguá, Jardim Ferraz, Vila Falcão e Alto Paraíso. Na região, nove casos foram registrados nestes ano, confirma a delegacia seccional.

“Homicídio amedronta qualquer um. Eu não sei o que acontece, mas as pessoas vêm morrer aqui. Muitos não são do bairro. Entre os vizinhos, a convivência é harmônica”, diz uma moradora do Ferradura Mirim, que preferiu não ser identificada. No caso de Fogaça, a informação coincide: segundo a polícia, ele era morador do Núcleo Habitacional Mary Dota.

Os últimos dois casos de assassinatos registrados no município ocorreram no Jardim Marize e no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), respectivamente nos dias 11 e 2 desde mês. O estudante Ricardo da Silva Luiz, 16 anos, foi encontrado morto há uma semana. Dez dias antes, um homem de aproximadamente 22 anos foi encontrado sem vida no final da rua Orlando Querubim, no Bauru 2000.

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Estatísticas

Com o homicídio registrado ontem no Ferradura Mirim sobe para 44 o total de vítimas só neste ano, segundo levantamento do JC. O número já é maior que o registrado durante todo o ano passado, quando 43 pessoas perderam a vida pela mesma razão. No entanto, nas estatísticas da Polícia Civil, o caso de ontem foi o 39º deste ano.

Os índices não são coincidentes porque o JC considera homicídio todas as pessoas mortas em situação violenta, inclusive as que morreram dias após o fato, situação que recebe outra tipificação para a polícia. “A Polícia Civil tem de respeitar as tipificações previstas no Código Penal”, reitera o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia.

Na opinião dele, a quantidade de assassinatos registrada até agora não representa um aumento da violência em Bauru porque o índice de casos entre 1994 e este ano continua o mesmo, quando se compara o crescimento populacional. “A população cresceu em 60 mil habitantes (em dez anos). As outras estatísticas não observam isso”, explica.

Números divulgados anteontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) confirmam o posicionamento do delegado. Estatísticas entre os anos de 1995 a 2004, mostram que os percentuais de homicídios em Bauru no decorrer do período variaram pouco.