Pelo menos enquanto os cartões eletrônicos não substituem totalmente o dinheiro “realâ€, a população tem contato diário com as cédulas de papel e as moedas. Porém, muitas pessoas não se dão conta de que o dinheiro, assim como objetos tocados e utilizados por muitos indivíduos, podem carregar fungos e bactérias responsáveis por doenças e inflamações.
De acordo com o biomédico e consultor Roberto Martins Figueiredo, diretor técnico de um centro de assessoria em higiene e saneamento ambiental, a manipulação e armazenamento de notas e moedas sem condições higiênicas, contato com superfícies sujas e com animais domésticos ou insetos são fatores que podem contribuir para o aparecimento de doenças. O contágio pela bactéria Staphylococcus aureus, presente na saliva, por exemplo, pode provocar faringite, terçol, acne, furúnculo e otite.
O infectologista Marcelo Pesce completa que o alerta não deve se restringir apenas ao dinheiro. “Há um número grande de coisas que manipulamos no dia a dia que são tocadas por várias pessoas, e a gente não atenta para issoâ€, ressalta.
Ele observa que nossas mãos estão o tempo todo lidando com os mais diferentes objetos que já foram tocados e utilizados por outras pessoas. “No ônibus ou no metrô, por exemplo, tem as barras de segurança onde as pessoas apóiam e mantêm as mãos. No escritório, você divide seus objetos ou o computador com outros colegas. Há uma infinidade de objetos com os quais temos contato o tempo inteiro, e se eles puderem ser higienizados, melhorâ€, afirma Pesce.
De acordo com Figueiredo, entre os cuidados que poderiam ser adotados para diminuir o risco de contaminação com o dinheiro está a redução do tempo de circulação das cédulas e moedas. As notas de R$ 1,00, por exemplo, circulam em média de um a dois anos até serem substituídas. “Outra solução é trocar cédulas de papel pelas de plástico, menos porosas e, portanto, mais resistentes à ação dos microorganismosâ€, indica o biomédico.
No caso das moedas, uma solução seria aumentar o percentual de cobre em sua formulação, pois o elemento possui ação tóxica contra as bactérias. Atualmente, apenas as moedas de R$ 0,01 e R$ 0,05 possuem cobre.
Lavando as mãos
O advogado Aloísio Garmes garante que nunca deixa de higienizar as mãos após ter contato com cédulas e moedas, em qualquer situação. “Não sei pegar em dinheiro e não lavar as mãos depois. Já corro para o banheiroâ€, diz.
Ele justifica seu asseamento por saber que as notas e moedas carregam bactérias e podem transmitir doenças. “O dinheiro é sujo, passa na mão de todo mundo. Vi uma reportagem falando sobre isso, há muito tempo, e guardei. A gente não precisa pegar doenças por causa disso, é só ter higieneâ€, explica.
Na opinião do advogado, a pior situação envolvendo a falta de higiene é a manipulação de alimentos. “Se eu perceber que a pessoa está mexendo com dinheiro e com comida ao mesmo tempo, não compro e ainda reclamo. Já briguei em açougue, em padaria, não quero saber. Eu brigo, chamo a atenção da pessoa e não compro. Ninguém pode pôr as mãos no que a gente vai comer depois.â€
Higiene e qualidade
Para garantir a qualidade dos sanduíches que vende e a conseqüente satisfação e segurança de seus clientes, a “lancheira†Daiana Alves dos Santos procura tomar diversas medidas, justamente para evitar a contaminação dos alimentos. “Eu só faço o lanche, só lido com os alimentos. Quando o cliente vem pagar, é meu pai ou minha mãe que recebe o dinheiro, que pega os refrigerantes ou que passa o ketchup e a mostarda para as pessoas. Eu fico só na chapaâ€, diz a jovem, vestindo avental e com uma rede protetora nos cabelos.
Em seu carrinho, ela ostenta o cartaz do Programa Sabor e Qualidade, promovido por entidades municipais para assegurar a qualidade dos alimentos vendidos por ambulantes. “O curso nos deu uma ótima orientação, falaram de coisas que a gente não sabia e outras que a gente começou a prestar mais atenção. Agora, é tudo certinho, a gente tenta tomar o maior cuidado para oferecer o lanche com muita qualidadeâ€, comenta.
Segundo Daiana, alguns clientes percebem a maneira diferente e correta com que família trabalha. “Pessoas já perguntaram porque eu não recebo o dinheiro delas, e eu explico que estou mexendo na chapa, com os alimento, que temos outra pessoa para receber e que ela não vai ter contato com o lancheâ€, ressalta.
De acordo com Pesce, os procedimentos tomados por Daiane estão corretos e deveriam ser seguidos por todas as pessoas que manipulam alimentos. Ele explica também que a higienização das mãos antes das refeições ou de ingerir qualquer alimento é sempre necessária, não somente após lidar com dinheiro ou outros objetos.
â€œÉ muito comum você estar almoçando e alguém te cumprimentar, dar a mão. Isso não se faz. E mesmo depois de apertar a mão de alguém ou conversar, é necessário lavar as mãos, ou você pode até pegar uma meningite ou faringite. É importante manter os hábitos de higiene de uma maneira geralâ€, finaliza o infectologista.