11 de julho de 2026
Política

Carta assinada por grupo de seis padres declara apoio a candidato


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Uma carta com seis assinaturas de padres da Paróquia Nossa Senhora das Graças (Casa do Garoto) declarando apoio ao candidato Francisco Carlos de Góes (o Carlão do Gás) se tornou pioneira na participação direta do clero no processo eleitoral municipal.

Comportamento declarado pelos envolvidos como democrático – afinal, a escolha do candidato se deu através de discussões e debates da comunidade católica -, a situação provocou reações.

Um vereador candidato à reeleição se sentiu prejudicado com a manifestação dos católicos e acionou a Justiça Eleitoral para tentar bloquear a democrática e livre manifestação do clero. Não conseguiu.

Ele argumentou que os padres da paróquia estariam promovendo propaganda eleitoral irregular pedindo votos ao candidato, inclusive nas missas, além de distribuírem panfletos assinados.

O juiz titular da 387ª Zona Eleitoral, João Augusto Garcia, afirma que o apoio dos padres a determinado candidato “é legítimo e faz parte da democracia”. Considerou a representação improcedente.

O fato chegou a ser discutido através de cartas enviadas à tribuna ldo leitor do Jornal da Cidade.

O bispo diocesano de Bauru, dom Luiz Antonio Guedes, encara a situação com normalidade. “Nós não devemos nos inscrever em partidos. Mas assinar uma carta na condição de cidadão em apoio a um candidato católico surgiu após a paróquia escolher um nome. As celebrações não estão sendo usadas para a campanha. O candidato escolhido visa buscar o bem comum e está disposto a trabalhar em sintonia com a comunidade e prestar contas”, esclarece.

A declaração do bispo é reforçada pelo padre Alberto Oselin, da Paróquia Nossa Senhora das Graças. “Temos, sim, um candidato que se enquadra dentro dos princípios da igreja. A palavra de Deus, a orientação da igreja, nos dá muita força para propor candidatos aos cargos eletivos”, opina.

Ele lembra que há mais de um ano os leigos da paróquia percorrem as capelas orientando os católicos a escolher seus candidatos. “Isso é muito bom. Os católicos devem concorrer para que haja um pouco mais de moralidade, justiça e amor ao povo, para que não seja uma corrida aos cargos só para encher os bolsos.”

A mesma linha de raciocínio defende o ex-integrante do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas, professor Odair Machado. “Particularmente, sempre achei que os cristãos enfrentam tudo aquilo que Jesus Cristo enfrentou. Cristo foi massacrado porque batia de frente com os poderosos”, lembra.Ele afirma, na condição de católico praticante, que sempre foi a favor de que as dioceses e paróquias trabalhassem com nomes visando as eleições.

“A Igreja Católica, como entidade, não faz política partidária. Os componentes do clero, como cidadãos que são, votam nas eleições. Portanto, eles têm o direito de indicar o candidato que está inserido na comunidade católica e trabalha por ela.”