09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CULTURA: O DESAFIO


| Tempo de leitura: 3 min

Estamos acompanhando pela rádio 96FM as entrevistas concedidas pelos candidatos à Prefeitura de Bauru, explicando seus projetos para o desenvolvimento da cultura em nossa cidade. As declarações dos aspirantes ao governo são animadoras, desde que não sejam vãs promessas eleitoreiras. Bauru precisa com urgência de um governo plantador de idéias culturais. Um governo corajoso e desprendido fazendo da cultura a alavanca para o seu crescimento. O desenvolvimento de uma cidade em todas suas áreas tem, na cultura, a sua raiz maior: do bom cultivo se colhem bons frutos. O exercício da cultura fertiliza o progresso permitindo o crescimento social e profissional em todas as atividades humanas. Gera o crescimento individual e coletivo. Abre frentes de trabalho. Alimenta o comércio e a indústria. Acena um futuro melhor para todos os cidadãos. Independente da idade, sexo, raça ou credo.

Respondendo à pergunta que lhe fizeram, Michelangelo respondeu: “Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo que não é necessário”. Está chegando o tempo para o novo governo modelar um plano de cultura com radiais para todos os níveis sociais. Retirar do bloco de mármore o que não é necessário. Deixar de lado os interesses políticos, pessoais e partidários. Pensar no bem coletivo e realizar, efetivamente, como num apostolado, movimentos culturais que envolvam toda a população. Principalmente aos interessados cujos recursos materiais não lhes permitem os benefícios que a arte proporciona. Com programas incentivando a leitura, despertando o interesse pelas letras em prosa e verso; entusiasmando quem escreve seus sonhos; quem transfere para as telas suas emoções; quem faz das notas musicais degraus para o arco-íris; aproximando todos de todas as artes; concedendo, inclusive, condições materiais para isso. As musicais, teatrais, plásticas, poéticas, danças, folclóricas, cinema, rádio, tv e as demais, que são, desde que existem, as alavancas do ensino, educação e cultura na formação da sociedade num todo.

Este nosso chamamento se estende também aos futuros vereadores. Que poderão apresentar projetos em benefício da cultura. Ou melhor: que precisam apresentar idéias para o desenvolvimento cultural da cidade. Legislar não é só indicar nomes para ruas. É, acima de tudo, contribuir para o engrandecimento da cidade em todas a suas áreas. Particularmente na cultura que é o alicerce, a base, o futuro da sociedade em qualquer parte do mundo. E nós que amamos as artes, também temos deveres: o constante aprendizado alimentando o nosso crescimento intelectual.

E cobrar sempre dos poderes públicos a obrigação de servir culturalmente a sociedade que lhes outorgou esses poderes. Curioso como sempre e sempre querendo aprender mais, procurei no dicionário a definição exata da palavra “cultura” e encontrei: “desenvolvimento de um grupo social, uma nação, etc, que é fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento desses valores: civilização, progresso”.

Normalmente o esforço começa por uma liderança ou um grupo de idealistas. Grupos formados por executivos e legisladores eleitos pela coletividade, tem o dever cívico de aplainar caminhos para o progresso de toda a comunidade que neles confiou por meio do voto. Na Internet, encontrei as seguintes colocações a respeito da cultura: “Não existem homens cultos; existem homens que se cultivam” e “Cultura é sinônimo de civilização e progresso intelectual”. Frases de Ferdinand Foch e José Sarukhán. Com esses pensamentos nada mais a declarar. (Munir Zalaf - RG 2.726.959)