O rio Batalha fornece água para cerca de 45% da população bauruense. O seu maior inimigo, o homem, tem provocado o desmatamento ao seu redor. Sem a proteção das matas, o rio, que nasce na serra de Jacutinga, em Agudos, possui alta suscetibilidade de erosão do solo. Tem grandes erosões e voçorocas que acarretam o assoreamento de grande parte do trecho entre Agudos e Bauru.
Classificado pela Cetesb como II, o que significa ter água de boa qualidade, desde que tratada, ele caminha por uma estrada negativa, se depender da ação humana. Próximo à rodovia Bauru-Ipaussu, a mata ciliar sofreu uma queimada que pode demorar até 10 anos para ser recuperada, comenta o biólogo e ambientalista, Ivan Alexandre Ferrazoli Marchi. â€œÉ uma área que foi recuperada recentemente pelo Fórum Pró-Batalha. As mudas ainda nem tinham crescido e o homem ateou fogo e queimou tudo. Uma área que demoraria cinco anos para ser recuperada sofreu nova degradação.â€
Ele lamenta que a população não tenha consciência de que ações como essas vão influenciar na vida de todos. â€œÉ comum acontecer incêndios provocados por cultos religiosos que usam velas nas áreas de preservação ou por pescadores que fazem fogueira. O homem não percebeu que ele é parte integrante do meio ambienteâ€, observa o ambientalista.
A área queimada, na opinião de Marchi, deve medir o equivalente a duas quadras de futebol. “Só vamos reverter essa situação com a conscientização ambiental, com ações no dia-a-dia em relação ao desperdício, às queimadas, ao lixo doméstico.â€
Apesar de tudo, o Batalha segue seu caminho à espera do dia em que a população consiga entender que pequenas ações podem ajudar a natureza, que só traz benefícios. “O Batalha nasce em Agudos e passa por 11 municípios até sua foz, em Pongaí, próximo à represa de Ibitinga. Da nascente até Bauru, ele tem 22 quilômetros e passa por Piratininga, onde recebe o esgoto tratado.â€
Peixe
O rio Batalha ainda tem peixe. Nos municípios de Avaí e Reginópolis, a pesca é possível, frisa Marchi. “Encontram-se peixes grandes de até 40 centímetros e de diversas espécies como lambari, manjuba e piranha. A região concentra ainda uma fauna riquíssima com pequenos mamíferos e roedores encontrados apenas em áreas preservadas, onde existe o fragmento florestal significativo.â€
A presença desses animais indica a boa qualidade da água. “Se esses animais estão nessa região é porque estão consumindo a água desse rio e ela ainda está com boa qualidade.â€
Alguns dizem que o rio Batalha vai morrer, mas o biólogo explica que não. “Ele pode diminuir muito de volume e comprometer o abastecimento de água. Secar por completo é uma estimativa a muito longo prazo.â€
A garantia de que o rio não vai secar por completo está no volume de água oferecido pelos seus afluentes. “As nascentes que alimentam ele, do córrego do Veado, Água do Ventura, o córrego São José e a Água da Faca, estão preservadas e acabam oferecendo uma água de boa qualidade para o rio, garantindo o volume adequado para a captação.â€
Como cílios para os olhos
A mata ciliar tem a função de proteção do rio. Para melhor entender, basta compará-la com os cílios dos olhos humanos que protegem o órgão de possíveis ataques.
A mata ciliar protege contra erosão, agrotóxicos e todo tipo de poluição. Dela depende a qualidade da água. Sem a mata ciliar, o rio está mais propenso a receber esses materiais.
O ambientalista explica que com as queimadas e a chuva, o rio recebe fósforo. “As cinzas aumentam a quantidade de fósforo na água. Isso também é um tipo de poluição. O fósforo é um produto químico e para purificar essa água vai ser necessário o uso de mais produtos químicos.â€