A médica veterinária Márcia Cristina de Sena Oliveira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) fez um alerta recentemente pela Agência Brasil: bebida láctea não é leite.
Segundo ela, a legislação vigente permite que as indústrias adicionem o soro do leite que sobra da fabricação de queijos) ao leite para produzir alimentos de sabor semelhante ao do iogurte. Esse soro, no entanto, é um subproduto do leite bastante pobre em nutrientes, especialmente proteínas.
O produtor rural Alexandre Fraga Zwicker comenta que, até há bem pouco tempo, esse soro era descartado ou, no máximo, misturado à ração de animais. Com a permissão de adicioná-lo ao leite, o subproduto adquiriu valor de mercado
e hoje é vendido pela metade do preço do leite integral.
Para a veterinária, cabe ao consumidor ficar mais atento a essas diferenças no momento da compra. Por lei, a indústria é obrigada a informar no rótulo se aquele produto é um leite natural, modificado, enriquecido, se é um iogurte ou uma bebida láctea.
“Umdos pontos que está sendo discutido entre técnicos do Serviço de Inspeção Federal (SIF), pecuaristas e indústria de laticínios é a obrigatoriedade de maior destaque para o termo ‘bebida láctea’ nas embalagens e de, possivelmente, maiores explicações sobre a diferença entre esse produto e o leite”, afirma.
Especialistas destacam que não há nada de errado com a bebida láctea, que segue todos os critérios de higiene e inspeção do leite comum. O consumidor só precisa saber avaliar o que está ingerindo e saber que o valor nutricional da bebida láctea é inferior.