08 de julho de 2026
Regional

Adolescente gera feto sem cérebro

Por Thaís Leonel | Da Tribuna Impressa especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Matão - Três meses depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir a interrupção da gravidez em casos de bebês anencéfalos (sem cérebro), Matão (150 quilômetros a nordeste de Bauru) registra o primeiro caso do tipo na região de Araraquara. O feto está sendo gerado por uma adolescente de 16 anos, que está no sétimo mês de gravidez.

O caso foi descoberto pelo ginecologista Mário Sergio Trevisan, através de um exame de ultra-som, quando a gestante estava no quinto mês. A garota faz o pré-natal na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Alto.

Trevisan conta que este é o quinto caso de anencefalia do qual cuida. Em todos, o médico recomendou interrupção da gravidez, mas somente por meio de decisão judicial.

O médico explica que foi constatada, no exame, a má-formação do sistema nervoso central do feto. Depois disso, mais dois exames foram feitos, pois de acordo com a liminar do STF, é preciso que seja comprovada a anencefalia por meio de três laudos para que o aborto seja autorizado. O médico conta que a família está procurando um advogado para encaminhar o pedido à Justiça.

Trevisan também conta que o Conselho Regional de Medicina está cogitando a idéia dos órgãos dos fetos anencéfalos serem doados, com o consentimento das famílias. O trabalho precisaria ser minucioso e rápido.

Os transplantes de órgãos são autorizados quando há morte cerebral e com o feto anencéfalo, isso seria possível. Porém, para a doação, seria necessário que o parto fosse cesariana, pois parto normal complicaria as chances de doação de órgãos.

O ginecologista prefere não dizer qual é sua posição em relação ao caso, se defende ou não o aborto, afirmando apenas que não faria a cirurgia, já que para isso, é necessária autorização judicial.

Trevisan lembra que casos de anencefalia são traumáticos e complicados. No caso da garota matonense, de apenas 16 anos, realizar o parto seria dolorido, pois em 95% dos casos os médicos levam presentes às adolescentes e, neste caso isso não seria possível.

O que é

A anencefalia é a ausência de cérebro. Ocorre um defeito de fechamento na porção anterior do tubo neural, levando à formação inadequada do encéfalo e da calota craniana. É um defeito congênito e deixa até a cabeça deformada.

A ausência do cérebro pode ser constatada na 12ª semana de gestação com um ultra-som. O feto pode sobreviver dentro do útero sem parte do cérebro, pois ele precisa apenas ser alimentado durante sua formação.

A anencefalia não tem uma origem comprovada e a incidência é de um entre 1.000 nascidos. Em 90% dos casos, a criança recém-nascida sobrevive por algumas horas, os outros 10% vivem por, no máximo, três ou quatro dias.