10 de julho de 2026
Política

Para Toninho Garmes, Nilson terá que revelar o nome de 'entidade maléfica'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O vereador Toninho Garmes (PSDB) disse ontem, em discurso da tribuna da Câmara Municipal, que o prefeito Nilson Costa vai ter que revelar à Justiça ou ao Ministério Público (MP) o nome da pessoa que lhe teria feito uma “proposta indecente” para continuar no cargo para não ter seu mandato cassado no episódio da carne em troca da privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

A declaração do prefeito foi feita em discurso anteontem na inauguração do Centro de Lazer da autarquia municipal. “Eu vou buscar provas com relação a isso. Acho que a população tem o direito de saber quem ofereceu vantagem e quem é essa entidade maléfica. Não basta chegar e jogar no ar”, critica Garmes.

Para o tucano, o prefeito deveria ter procurado a polícia e o Ministério Público (MP) para denunciar o fato. “O promotor pode, de ofício, instaurar inquérito porque trata-se de crime de ação pública incondicionada, ou seja, aquela que o MP abre sem necessitar de representação de quem quer que seja”, explica.

O vereador vai solicitar cópia da gravação do discurso de Nilson para encaminhá-la ao MP. “Ou talvez eu faça uma interpelação para que o senhor diga o nome dessa pessoa que praticou esse crime consumado”, avisa.

Garmes entende que a pessoa que teria feito a “proposta indecente” tem que ser processada, condenada e presa. “Agora, se o senhor (prefeito) se calar, mais uma vez será provada sua omissão e negligência em relação a toda causa pública.”

Não revela

Em resposta ao discurso de Garmes, o prefeito Nilson Costa diz que não vai revelar o nome da pessoa que lhe teria proposto a manutenção de seu mandato em troca da privatização do DAE.

“Não (vou revelar o nome). Exceto se eu tiver necessidade. Essa história é conhecida em Bauru”, acrescenta. “Há muitos anos que se discute esse tema”, complementa.

Na avaliação do prefeito, Garmes está “nos estertores” de sua última representação. “O eleitorado já cansou desse tipo de vereança”, analisa. Nilson confirma a declaração, mas diz que foi um “desabafo”. “Eu revelei as pressões que sofri na véspera da cassação do meu mandato para entregar o DAE e eu me recusei. Preferi enfrentar a votação da Câmara e o afastamento a vender minha alma”, finaliza.