09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Bancários protestam no Bradesco

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região realizou manifestação na manhã de ontem em frente à agência central do Bradesco. As cinco unidades do banco estão em funcionamento desde o começo da paralisação da categoria, iniciada na última quarta-feira. Dos 1.800 bancários de Bauru, mais de 1.500 interromperam suas atividades. Com exceção dos caixas eletrônicos, os serviços estão suspensos em 36 das 42 agências da cidade, o que corresponde a 80% de adesão, segundo um dos diretores do sindicato, Marcos Silvestre.

O Bradesco está com seu funcionamento normal ontem por meio de uma ação de interdito proibitório, liminar judicial que impede a paralisação das atividades nas cinco unidades do banco. O também diretor do sindicato da categoria, Roberto Machini, explica que a manifestação é motivada pela suposta pressão exercida pela gerência do Bradesco aos seus funcionários.

“A direção do banco está usando contingente policial e ligando para a casa dos bancários, ameaçando-os com demissão se eles não virem trabalhar”, aponta Machini. “O interdito nos impede de bloquear as atividades, mas viemos dar um apoio moral para os bancários e repudiar a direção do Bradesco”, completa.

Um funcionário do banco, que preferiu não se identificar, confirmou a denúncia feita pelo diretor do sindicato. “A gerência não ligou particularmente para mim, mas soube que outros colegas receberam ligações do Bradesco pedindo para voltarem ao trabalho. Todos os funcionários aqui estão descontentes”, reclama. O gerente geral do banco, Marcos Tejeda, se recusou a comentar o caso ao JC.

Os bancários reivindicam 25% de reposição salarial, contratação de mais funcionários para reduzir as filas nos bancos, elevação dos pisos salariais, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), garantia de emprego, entre outros itens. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propôs, em assembléia realizada semana passada, reajuste de 8,5% para todos os trabalhadores e mais R$ 30,00 para os funcionários que ganham até R$ 1,5 mil, PLR de 80% do salário mais R$ 705,00 e uma cesta-alimentação extra de R$ 217,00.

A proposta não foi aceita pela categoria. “A Fenaban só apresentou 8,5%, que não repõe nem a inflação, nós queremos 25%”, diz Machini. Ontem à noite, o Sindicato dos Bancários recebeu um comunicado de que a Fenaban vai receber a entidade para negociação hoje, às 15h, em São Paulo. Em todo o País, a estimativa da Confederação Nacional dos Bancários (CNB), cerca de 200 mil trabalhadores já aderiram à paralisação em 18 Capitais.