11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Proposta de reajuste a servidores do Judiciário não enfraquece a greve

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

A proposta de reajuste de 12% anunciada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ), Luiz Elias Tâmbara, durante a inauguração da 4.ª Vara Criminal de Bauru na última sexta-feira, não trouxe até ontem reflexos no movimento grevista dos servidores do Judiciário. Cerca de 85% da categoria mantém a paralisação na cidade, de acordo com informações do comando local de greve. O movimento completa hoje 85 dias.

Conforme publicou o JC, Tâmbara afirmou em Bauru que a verba suplementar orçamentária conquistada junto ao governo do Estado para a instituição permitiria conceder o máximo de 12% de reajuste sobre a gratificação paga aos servidores. A categoria reivindica reposição salarial de 26,39%. “Embora o presidente do Tribunal tenha oferecido 12% para acabar com a greve, o pessoal não demonstrou aceitação”, diz o diretor do setor administrativo do Fórum, José Carlos da Silva. “Eles estão aguardando a reunião que vai ser realizada em São Paulo para definir os rumos do movimento”, completa.

A assembléia geral da categoria será realizada amanhã na Praça João Mendes. De acordo com Luciana Dias Duarte, do comando de greve local, ontem à tarde representantes de Bauru participaram de uma nova rodada de negociações com o TJ, em São Paulo. O resultado da reunião, que até o fechamento desta edição não havia sido finalizada, será levado à assembléia de amanhã, em São Paulo.

Enquanto o impasse permanece, a escrevente-chefe Eliane Fernandes Castilho Gomes, que não aderiu ao movimento grevista, lembra que milhares de processos continuam parados no Fórum de Bauru.

“Eu acredito que o movimento esteja chegando ao fim. Tanto para quem saiu quanto para quem ficou trabalhando é muito estressante e cansativo”, diz. “Para quem ficou, o serviço está exagerado. Os casos urgentes continuam andando, porque algúem tem que dar andamento a esses serviços”, completa. A escrevente estima que, após o fim da greve, sejam necessários no mínimo dois anos de trabalho para colocar “a casa em ordem”.

Proposta

De acordo com o escrevente Peter Charles Gavaldão, os servidores ‘estranharam’ o anúncio de reajuste de 12% sobre a gratificação feito por Tâmbara em Bauru. Isso porque o TJ já havia oferecido dias atrás um aumento de 15% sobre a gratificação, ou seja, uma proposta mais vantajosa para a categoria. “É estranho esse número que ele apresentou aqui”, avalia. “De qualquer forma, nós ainda continuamos insistindo naquilo que Tâmbara propôs inicialmente, que era um reajuste de 26,39%”, completa o servidor.

Assim como a escrevente-chefe Eliane, Gavaldão também acredita que o movimento grevista esteja chegando ao fim. Na opinião dele, o TJ tem demonstrado nos últimos dias interesse em avançar nas negociações. “Antes não estava havendo nenhuma negociação. Agora está existindo”, destaca. “Mas tudo vai depender da reunião de São Paulo hoje (ontem) e da assembléia geral (de amanhã)”, completa.