Teria acontecido em Rio Branco, no Acre, após a eleição a governador do Estado. Um cabo eleitoral do governador eleito e recém-empossado Nabor Júnior foi até ao palácio do Executivo solicitar uma audiência para cobrar as dívidas de campanha.
Depois de alguma espera, foi finalmente recebido pelo governador, que o atendeu com muito entusiasmo, já que o considerava muito e reconhecia que o seu trabalho na eleição tinha sido muito importante. Disse o governador:
- Como vai, Benedito, que bons ventos o trazem até aqui ?
- Sabe, dr. Nabor, eu vim aqui para a gente acertar aquela conta da campanha. O sr. me prometeu um cargo, se lembra?
- Como eu iria esquecer. Afinal de contas, sou homem de honrar os meus compromissos, principalmente quando se trata de um amigo como você. O que mesmo que você está pleiteando? Perguntou o governador.
Benedito era um sujeito simples. Não tinha grandes ambições na vida. Era um ex-seringueiro que tinha vindo para a cidade para viver de bicos. Mas era esperto e atuante. Sua influência na favela que vivia era grande. Podia até se candidatar a vereador, que talvez fosse eleito. Mas essa não era a sua intenção.
- Pois é, dr. Nabor, eu gostaria de um cargo na Polícia Militar.
No mesmo instante, o governador mandou chamar o chefe da Casa Militar, que tinha o seu gabinete ao lado. Rapidamente, entrou na sala o coronel, atendendo o chamado do dr. Nabor.
- Pois não, excelência, o sr. mandou me chamar?
- Sim, coronel. Eu quero que você arrume uma vaga de soldado na Polícia Militar para o meu amigo Benedito, aqui presente.
Na mesma hora, Benedito retrucou, assustado:
- Vaga de soldado, governador? Essa eu não quero, não.
- Afinal de contas, o que você quer, Benedito? Disse o governador.
Na maior simplicidade, Benedito respondeu:
- Eu estava querendo uma vaga de subtenente reformado, pois eu já trabalhei muito nessa vida.
Contada por José Ricardo Siqueira Silva