09 de julho de 2026
Bairros

Incêndio destrói 4 alqueires no Igapó

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um incêndio destruiu, ontem à tarde, cerca de quatro alqueires (área que equivale a 11 campos de futebol) da mata de cerrado preservada no condomínio Vale do Igapó. Entre bombeiros, moradores e voluntários, cerca de 60 pessoas trabalharam quatro horas para conter os diversos focos de fogo que, se alastrassem mais, poderiam colocar em risco casas (são 200 no condomínio) e destruir um corredor ecológico (leia mais abaixo).

Mesmo assim, o incêndio causou prejuízo. “Destruiu uma longa faixa da mata que era preservada e servia de proteção natural ao condomínio, além de ser moradia para diversos animais. Cercas foram queimadas”, conta Rubens Previdello, diretor do Vale do Igapó Empreendimentos, empresa que administra o condomínio que tem 250 alqueires.

O Corpo de Bombeiros e os moradores, até o final da tarde de ontem, não haviam esclarecido se o incêndio começou acidentalmente ou foi criminoso. “Os moradores informaram que o primeiro foco surgiu do outro lado da rodovia e as faíscas foram espalhando-se com o vento. Pode ter começado com uma bituca de cigarro mal apagada, jogada na beira da estrada, ou até com um pedaço de vidro”, avalia o sargento Gliceu Crossi, do Corpo de Bombeiros.

Dependendo de como os raios solares atingem um pedaço de vidro, podem desencadear fogo, alerta Álvaro José de Brito, presidente da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil. “Por isso, pedimos para a população não jogar bitucas mal apagadas na beira das estradas nem pedaços de vidro”, comenta. Porém, pela quantidade de focos, Brito não descarta a hipótese de incêndio criminoso.

Três equipes de bombeiros trabalharam mais de quatro horas no combate ao incêndio e gastaram cerca de 18 mil litros de água. Eles contaram com a ajuda de oito funcionários do condomínio, moradores do local, Defesa Civil e equipes e máquinas das secretarias municipais do Meio Ambiente e das Administrações Regionais (Sear) e Lwart.

Neste mês, até ontem à tarde, o Corpo de Bombeiros já havia atendido 96 ocorrências de fogo em mato e terreno baldio em Bauru. Durante todo o mês de setembro do ano passado foram 63 ocorrências da mesma natureza. A região enfrenta estiagem de quase dois meses - as últimas chuvas foram leves, insuficientes para molhar a terra.

Animais

Moradores, do Vale do Igapó, que estavam preocupados com suas casas e os animais que vivem na mata, conseguiram salvar do fogo dois sagüis-do-tufo-preto com queimaduras leves. “Fugindo do fogo, eles (os sagüis) correram para a rua e nós pegamos. Um deles está com as patinhas queimadas”, comenta Rosana Maria Guedes Soares, moradora do condomínio.

Os sagüis foram levados ao Zoológico Municipal de Bauru, onde foram medicados. “As queimaduras são leves e logo logo eles serão soltos no mesmo local onde estavam”, afirma Luiz Pires, diretor do parque.

O sagüi, que é uma espécie nativa da região, costuma aparecer em bandos nas faixas de mata do condomínio, segundo Paulo Lima, morador do local que recorreu à mangueira de água para apagar o fogo em frente sua casa. “A gente tentou apagar, mas o vento espalha as faíscas”, disse.

Com abafadores cedidos pelos bombeiros, o operador de máquinas Deoclides Correia Soares, morador do condomínio, trabalhou durante três horas para apagar pequenos focos de incêndio. “Enquanto os bombeiros apagam os maiores (focos), nós combatemos os menores”, explicava.

Brito, que também ajudou no combate ao incêndio, achou um lagarto morto. “Pela área queimada e a quantidade de bichos existente, achamos que outros saíram machucados. A boa notícia é que salvamos um ninho de pica-pau com três filhotes”, frisa.

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Corredor ecológico

As faixas da mata preservada no condomínio Vale do Igapó, entre as ruas, fazem parte de um corredor ecológico que começa em Bauru e vai até Agudos, importante para a preservação de diversas espécies animais, explica Luiz Pires, diretor do Zoológico Municipal de Bauru.

O corredor ecológico é formado por matas preservadas no Vale Igapó, Instituto Lauro de Souza Lima, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Jardim Botânico e Duraflora, já em Agudos. “Os bichos fogem do incêndio, mas alguns ficam encurralados e os ninhos acabam sendo destruídos. Ainda bem que não é época de procriação de pássaros como tico-tico e sabiá”, diz.

Para Pires, incêndios como o ocorrido ontem no Vale do Igapó pode, comprometer todo o corredor. “É a nossa grande preocupação nesta época do ano, de estiagem. O Jardim Botânico já sofreu dois incêndios neste ano, mas tem uma brigada com caminhão-pipa que conseguiu apagar os focos logo no início”, ressalta.