“A violência é tão fascinante, e nosas vidas são tão normais.” Pior do que a agressão física representada pelo crime organizado é a agressão ideológica por parte do governo, persistente em não considerar o estado de guerra civil que apoderou-se dos grandes centros urbanos e em não dissolver a violência. De fato, não se trata somente de uma guerra civil, mas sim de uma disputa pelo poder por grupos que, apesar de rivais, são forças do mesmo lado negro e sujo que visa o lucro sem avaliar as conseqüências. Há, entretanto, uma diferença significanre entre eles: o crime é organizado, o governo não, fato que comprova o atual estado de calamidade nas grandes cidades do País. Tamanha organização levou o crime a se tornar uma empresa que prioriza o tráfico de drogas, sendo este base e fonte de renda para as ações de combate civil e militar, caracterizando um efeito cumulativo de violência e morte. Como se não bastasse, laços de corrupção política e criminalidade estão cada vez mais fixos, em um jogo de favores onde há benefícios mútuos e conseqüências para a nação. Demagogia não basta. É preciso moldar palavras em ações sociais concretas a fim de elevar a consciência crítica e moral. Uma vez que ninguém nasce criminoso, tudo é uma questão de oportunidades. Mas, perante portas fechadas e preconceito, a violência oferece caminhos fáceis para vencer (ou melhor, sobreviver) na vida. A indútria do crime é exportadora de dor, mas o consumidor é, voluntária e paradoxalmente, cada um de nós.
Eduardo Cruz Moraes - RG 34196903-5 - estudante