10 de julho de 2026
Política

Ubiratan prega setorização na eleição

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado estadual Ubiratan Guimarães (PTB) - coronel da reserva que comandou a operação no Carandiru que resultou na morte de 111 presos - defende a segmentação de candidatos nas eleições. Anteontem, ele cumpriu agenda em Bauru e fez campanha para um candidato policial militar.

“Eu sempre defendi e pratiquei essa teoria. Acho importante ajudar o nosso pessoal (candidatos PMs). Eu quando estava na ativa, defendi a participação da Polícia Militar, através de seus membros, na vida política”, afirma.

Ele lembra que até a Constituição de 1988 os soldados praça e cabos não tinha direito a voto. “Só votavam de sargento para cima. Depois se conseguiu o avanço. Aqueles que queriam se candidatar tinham que pedir baixa. Felizmente, isso acabou. Foi uma luta grande”, avalia.

Ubiratan diz que não entendia os motivos que proibiam os praças e cabos de disputarem as eleições. “A Polícia Militar sempre esteve integrada à comunidade. Hoje temos o policiamento comunitário. O PM participa da vida da sociedade. Isso facilita com que a corporação tenha uma maior aproximação com o povo”, observa.

O coronel da reserva revela que, em todo o Estado de São Paulo, faz campanha para 30 policiais militares que disputam cargos de prefeito, vice e vereadores. Em Bauru, ele apóia o PM Jorge dos Santos, que disputa vaga à Câmara Municipal pelo PL.

“Percorro todo o Estado, de ponta a ponta, a convite de policias militares candidatos.” Ele calcula que cerca de 300 PMs paulistas disputam as eleições municipais de outubro.

O deputado estadual foi um dos que se posicionou contra a aliança do PTB com o PT, em São Paulo, em apoio à reeleição da prefeita Marta Suplicy.

“Sinceramente, não me agradou. Mas somos do partido e temos que cumprir. Eu sempre achei que entre o PTB e o PT há uma distância muito grande”, analisa. Questionado se faz campanha para Marta Suplicy, Ubiratan não comentou. O silêncio respondeu por ele. Mas não esconde que não tem simpatia por petistas.

Fantasma

O episódio do Carandiru continua a perseguir Ubiratan Guimarães como se fosse um fantasma em sua vida. “Eu não consegui ainda reverter o quadro. Continuo condenado. Meu advogado interpôs um recurso pela anulação do julgamento. Houve uma série de falhas técnicas na condução do julgamento. Aguardo manifestação do Tribunal de Justiça”, informa.

Ele nutre esperanças de que o julgamento a qual foi submetido seja anulado. “No segundo quesito, os jurados, por sete a zero, respondem que eu agi no estrito cumprimento do dever legal. E o estrito cumprimento do dever legal é excludente de penalidade. Não tinha mais razão para se prosseguir os demais quesitos. Fui condenado por co-autoria sendo que, dos autores, nem julgados foram ainda”, conta.

Ubiratan relata que recebe os mais diversos tipos de manifestações na rua sobre o episódio do Carandiru. “Mas garanto que 99% me são favoráveis”, afirma.

O coronel da reserva relembra até um fato folclórico. “Na campanha passada, fui a favela do Pantanal, em São Paulo. Uma senhora pegou meu santinho olhou e disse: ‘Sei quem é o senhor. O senhor matou meu marido no Carandiru’. Quando eu ia começar a me explicar, ela completou: ‘Só depois que ele morreu é que passei a viver a vida’, disse na frente de todos.