26 de maio de 2026
Regional

Debate apresenta poucas propostas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Botucatu - Três dos quatros candidatos a prefeito de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru) perderam uma boa oportunidade de expor seus programas de governo durante o debate de ontem, promovido pela Rádio Cultura FM.

O programa durou pouco mais de duas horas, na maior parte desse tempo, os candidatos preferiram fazer acusações envolvendo administrações anteriores e a atual. A “briga” foi mais intensa entre Antônio Mário Ielo (PT) e Milton Bosco (PV). Ielo é o atual prefeito e Bosco foi vice do ex-prefeito Pedro Losi Neto, derrotado na eleição municipal de 2000 pelo candidato do PT.

Já o candidato Paulo Bassoli (PPS) preferiu um certo distanciamento dos “atritos”, mas mesmo assim não deixou de cutucar o candidato Ielo. Propostas de governo, que em tese seria o que mais interessa aos moradores da cidade, foram poucas.

Além desses três candidatos, Botucatu possui ainda um quarto interessado em ocupar o posto de chefe do Poder Executivo. Fernando Isquierdo (PSC) não compareceu ao debate por ter assumido outro compromisso de campanha.

O programa foi dividido em quatro blocos de meia hora cada um. No primeiro e no segundo blocos, os candidatos tiveram de responder perguntas formuladas pelos organizadores do debate. No terceiro bloco e o mais tenso, os questionamentos foram feitos entre os próprios candidatos. E, por fim, no quatro bloco, as perguntas foram formuladas por jornalistas convidados do Diário da Serra, Gazeta de Botucatu e Jornal da Cidade. A escolha dos candidatos para responder as perguntas foi feita mediante sorteio.

Das poucas propostas que surgiram do encontro, destacam-se o apoio que o candidato Bosco disse que dará ao esporte local. Uma das iniciativas seria abrir as escolas municipais nos fins de semana para facilitar o acesso da população às quadras de esporte. De acordo com avaliação do candidato, o incentivo à prática de esportes, além de ajudar a formar futuros atletas, serviria também para afastar os jovens da criminalidade e das drogas.

Fim da terceirização

Bosco mostrou ainda disposição de acabar com a terceirização da coleta de lixo na cidade. Segundo ele, a prefeitura tem condições de realizar o serviço. Além disso, a municipalização da coleta, na opinião dele, geraria mais emprego. O candidato prometeu também tornar o passe-integração uma realidade na cidade. Ou seja, os usuários de ônibus circular pagariam apenas uma passagem para se deslocar para qualquer parte da cidade.

Por sua vez, o candidato Paulo Bassoli defende a contratação de uma segunda empresa de ônibus para que haja concorrência no setor de transporte público urbano e, com isso, o valor das passagens diminua.

Para tentar reduzir o desemprego na cidade, que hoje atinge, segundo ele, cerca de 10 mil moradores, Bassoli disse que pretende explorar as belezas naturais do município. De acordo com ele, um incentivo maior ao turismo poderia se transformar numa importante fonte de renda e de emprego para Botucatu.

Sobre a coleta do lixo, Bassoli também defende o fim da terceirização do serviço. De acordo com o contrato vigente, a empresa que atualmente faz a coleta tem o direito de continuar operando na cidade até 2006.

Já o candidato petista Antônio Mário Ielo, atual prefeito, aproveitou o debate para defender sua administração e dizer, ainda sobre o lixo, que pretende investir mais no incentivo à coleta seletiva. Segundo ele, a participação dos moradores na separação do lixo reciclável será ainda mais importante quando a obra da usina de reciclagem da cidade estiver pronta. Atualmente, as obras estão na fase de montagem das esteiras.

Sobre a dívida de R$ 30 milhões que a prefeitura teria com o fundo de pensão dos servidores municipais, Ielo disse que será preciso conversar com os trabalhadores e também com o sindicato da categoria para tentar resolver esse problema. Apesar da dívida, o candidato à reeleição garante que os servidores aposentados estão com os vencimentos em dia.

Segundo ele, as pessoas que estão ingressando no serviço público municipal não correm o risco de ter a aposentadoria prejudicada no futuro por falha da prefeitura.

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Avaliação

Botucatu - Na avaliação dos candidatos, o debate, apesar da falta de propostas de governo mais concretas, teve sua importância no cenário político local.

“Eu acho que nós deixamos claro a diferença das candidaturas. O debate era o espaço ideal para aprofundar as discussões e comparar as propostas de cada um”, opinou o candidato à reeleição Antônio Mário Ielo (PT).

Faltando cerca de dez dias para as eleições municipais, Ielo acredita que a maior parte da população já decidiu em quem votar. Por isso, na opinião dele, o importante agora seria reforçar a necessidade de convencer os eleitores a votar em candidatos a vereador da mesma coligação do prefeito escolhido.

Apesar das discussões mais acaloradas registradas no debate, o candidato Milton Bosco (PV) fez questão de parabenizar todos os participantes e disse que a população da cidade tem agora condições de avaliar melhor os candidatos.

“O que foi passado no debate foi muito interessante. Acredito que quem está indeciso, hoje (ontem) dá para saber o que cada um dos candidatos quer para Botucatu nos próximos quatro anos”, declarou Bosco.

Na opinião do candidato Paulo Bassoli (PPS), faltou proposta e sobraram acusações no debate de ontem. “Eu acho que foi uma vitória da democracia, mas tem de ter mais proposta. O povo está cansado de brigas. Precisamos de mais plano de governo. Isso é importante”, declarou ele, após o debate. “Eu tenho certeza que hoje (ontem), o povo que estava indeciso vai optar por aquele que tem proposta.”

Do lado de fora da emissora de rádio, um grupo de simpatizantes aguardavam a saída dos candidatos com bandeiras e “gritos de guerra”. Policiais militares acompanharam de perto a movimentação, mas nenhum incidente foi registrado.