Nas campanhas eleitorais há uma infinidade de promessas que bem gostaríamos fossem realizadas, porém, infelizmente, a maioria sucumbe em decorrência da tradicional falta de verba.
Prometem empregos, moradias, escolas, médicos, asfalto, segurança e outras coisas mais, porém, não há um só sequer que prometa o tão necessário silêncio que não depende de dinheiro, mas tão somente um pouquinho de consideração para com os infelizes trabalhadores que após horas e horas de trabalho, ao retornarem aos seus lares que, com muito sacrifício e muita economia lograram construí-los, entristecidos, não mais encontram condições de neles permanecer em decorrência de os mesmos estarem completamente invadidos por um barulho perturbador.
Proprietários de bares, petulosamente, se apoderaram das calçadas e nelas colocam mesas ladeadas de cadeiras, nas quais acomodam seus barulhentos fregueses que, a bem da verdade, deveriam estar dentro do estabelecimento e não obstruindo a passagem dos transeuntes e perturbando a vida dos vizinhos, que já estão fartos de reclamar e que a cada dia estão perdendo as condições para o trabalho e, até mesmo, a vontade de viver.
Ignoramos a existência dessa hipócrita e vergonhosa lei que permite a acomodação de mesas e de cadeiras nas calçadas de bares e similares. Se, realmente, ela existe, que a revoguem imediatamente.
O lazer de quem realmente trabalha está no silêncio e num ambiente de muita paz, onde o cidadão, alegremente, possa dialogar com a esposa e com os filhos. Os que nada fazem, senão barulho, que o façam em lugares distantes, completamente desprovidos de moradias.
Os apregoadores de lazer não se conscientizaram de que os trabalhadores estão mais do que estropiados por terem que andar pelo meio da rua, desviando incessantemente dos veículos, visto que além de os botequineiros terem se apoderado das calçadas, os poderosos transformam as suas de um declível de 3% em vertiginosa rampa de mais de 30%, impossibilitando de o transeunte transpô-la, ainda que de quatro pés.
É uma vergonha, mas é a pura realidade. Temos 1 prefeito, 1 vice, 21 vereadores, 63 assessores, dezenas de fiscais e milhares de funcionários a serviço da municipalidade. Será que nenhum desses cidadãos anda a pé ou reside nas imediações de boteco para meter a boca no trombone para que os responsáveis se conscientizem de suas responsabilidades?
O fiel cumprimento da Lei de Silêncio, pouco ou nada custa, pelo contrário, até pode auferir rendas para a municipalidade se instituírem multas de 100 reais aos emitidores de música em altos sons; multa de 50 reais em relação a cada mesa e multa de 20 reais em relação a cada cadeira quando qualquer um desses móveis for encontrado nas calçadas que são de uso exclusivo dos pedestres. Agradecido.
Itamar José da Silva - RG 13.476.248