09 de julho de 2026
Economia & Negócios

TJ determina volta imediata ao trabalho

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Cumprindo o que havia anunciado no início da semana, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, desembargador Luiz Elias Tâmbara, emitiu comunicado que estabelece a abertura de processos administrativos disciplinares contra os servidores do Poder Judiciário que permanecerem em greve. A decisão foi tomada após a rejeição da oferta de reajuste salarial médio de 14,57%, anteontem, feita pelo órgão.

O comunicado causou impacto direto entre os grevistas, que estão há 88 dias de braços cruzados. Em Bauru, eles passaram o dia todo de ontem reunidos e agendaram para hoje, às 10h, uma assembléia que pode deliberar pela volta ao trabalho. No final da tarde de ontem, o clima em frente ao Fórum era de desolação.

O servidor Benedito José Almeida Falcão, que integra o comando de greve local, admite que alguns funcionários retornaram ontem mesmo a seus postos. Segundo ele, a continuidade da paralisação irá depender de uma avaliação estadual do movimento. “Bauru não pode continuar na greve sozinha”, argumenta.

Dando sinais de que o movimento pode realmente chegar ao fim hoje, Falcão já fala inclusive na discussão sobre a forma de reposição dos dias parados. Ele é contra a proposta do TJ de utilizar férias e licenças-prêmio para que isso seja feito. “Quem sairá perdendo com isso é a população. Acreditamos que a realização de mutirões aos finais de semana seria uma medida mais adequada para colocar a situação em ordem”, comenta.

Embora o comunicado do TJ tenha balançado o movimento, ele descarta que os grevistas estejam divididos. “Qualquer atitude será tomada de forma coletiva”, reforça.

Resolução

Além do comunicado determinando a volta imediata ao trabalho, o TJ também publicou ontem resolução que reafirma e estabelece 14,57% como índice para os reajustes salariais da categoria.

Os servidores queriam 39,19% a título de reposição salarial, mas em junho aceitaram contraproposta de 26,39% feita pelo TJ. Como o índice acabou não sendo aplicado, os funcionários optaram pela greve, que se transformou na mais longa da história do Judiciário paulista.

Conforme adiantou anteontem à reportagem do JC, o diretor do Fórum, juiz Jaime Ferreira Menino, estima que serão necessários de seis a oito meses para que as atividades do Poder Judiciário voltem ao normal em Bauru.