08 de julho de 2026
Geral

Sorri busca emprego para deficientes

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Estimular as empresas de Bauru a contratar mais portadores de deficiência é a meta da Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri), que completa hoje 28 anos de fundação. Dos 200 usuários que freqüentam a instituição reagularmente, apenas oito estão inseridos atualmente no mercado de trabalho.

A coordenadora de programas de projetos comunitários da Sorri, Gina Mitsumata Kijima, lembra que a legislação obriga empresas com mais de 100 funcionários a contar com portadores de deficiência em seus quadros. “O problema é que Bauru não tem muitos estabelecimentos de grande porte e as pessoas, por não conhecerem a realidade e o potencial dos nossos deficientes, não dão oportunidades a eles”, comenta.

Para tentar mudar essa situação, Kijima explica que a entidade oferece cursos de introdução ao mercado de trabalho, além de encaminhar e acompanhar os usuários que obtêm empregos. “A Sorri tem pessoas prontas para trabalhar e que estão aguardando uma chance. Esperamos que essa inclusão aconteça da forma mais natural possível, independente da legislação”, destaca.

Para a usuária Lucimara Dezembro e Silva, que há 21 anos freqüenta a Sorri, a inclusão no mercado de trabalho é um aspecto que precisa ser estimulado. “Bauru deveria investir mais no portador de deficiência, porque ele também é um cidadão e tem os mesmos direitos dos demais. Eu, por exemplo, participo de muita coisa fora da entidade e já cursei dois semestres na USC (Universidade do Sagrado Coração)”, declara.

Para comemorar os 28 anos da Sorri, os usuários da entidade passaram a tarde de ontem jogando boliche. “A maioria deles nunca teve a oportunidade de participar de uma atividade como essa. Está sendo uma realização para eles”, afirma Kijima.

Vagno de Azevedo, que utiliza cadeira de rodas para se locomover, foi um dos que arriscaram algumas jogadas. Ele está freqüentando a Sorri há apenas dois meses e é um dos usuários mais novos da entidade. “Estou gostando bastante das atividades que estou desenvolvendo por lá, especialmente do artesanato”, relata.

A coordenadora de programas de projetos comunitários da Sorri acredita que as cerimônias comemorativas promovidas pela instituição também têm o objetivo de estimular a inclusão. “É uma forma dos usuários demonstrarem que estão integrados com a sociedade”, diz.

Origens

A Sorri foi criada em 1976 por um grupo de amigos interessados em ajudar os portadores de deficiência a superar barreiras. Atualmente, 200 pessoas com algum tipo de deficiência física, mental, auditiva ou visual freqüentam a instituição.

Em 1985, os diretores da entidade criaram o Sistema Sorri, que possibilitou a expansão dos serviços prestados em Bauru para outras cidades.

Além dos programas destinados à inclusão do portador de deficiência na sociedade e no mercado de trabalho, a Sorri também detém a patente do estesiômetro, aparelho que ajuda a prevenir lesões que podem levar à deformidade e amputação de membros.