31 de maio de 2026
Tribuna do Leitor

Sujeira x Estância


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Com a presente peço licença a Vossa Senhoria para usar da Tribuna do Leitor, o espaço democrático deste jornal, para externar o meu ponto de vista a respeito dos inconvenientes que vêm acontecendo na praça Virgem Imaculada, em Piratininga, nos finais de semana. Em primeiro lugar, as barracas de lanche não têm condições de higiene e não tem hora para funcionamento, pois vão madrugada adentro, no seu mister de encher a barriga dos fregueses, que ali se encontram, de lanches e de cervejas, de cervejas e mais cervejas, e que sujam toda a praça durante os seus festivais de som, em alturas inconcebíveis, em seus carros que saem, com rodas cantando, para fazer cavalos de pau pelas ruas da cidade, roubando da gente, pobre infeliz que mora nas redondezas, o direito que temos a um sono tranqüilo. E de manhã a praça desperta imunda, dando o testemunho de que a população de Piratininga não tem mesmo o direito de ver transformada sua cidade em estância turística, pois a limpeza é essencial para que seja alçada a tal ponto. E as casas de nós, moradores da vizinhança, amanhecem com uma fedentina de urina, que bem demonstra o fim com que elas são usadas durante a madrugada.

Enquanto isto, nós, pobres cidadãos, que esperamos das autoridades que façam uso do seu poder para coibir tais destemperos, esperneamos com nosso descontentamento, encaminhando abaixo-assinados para o prefeito, para os vereadores e para o promotor público, os quais, alheios ao nosso sofrimento, nada fazem, talvez até riam de nós por estarmos lutando pelo que nos parece justo: noites tranqüilas. Nem mesmo a polícia parece ter interesse em vigiar o que acontece na praça, tantos casos já soubemos de ocorrências nela acontecidas. Quanto à sujeira, basta o prefeito aplicar multas às barracas, conforme lei do professor Armando Persin nesse sentido, feita para ajudar a cidade a se transformar em estância turística. Mas, para o prefeito e vereadores, já temos a nossa opinião: no próximo pleito eles saberão a nossa resposta. (Não vamos colocar as raposas para tomarem conta do galinheiro.) Chega de moleza. Quanto ao meritíssimo, ele está nas alturas, não cuida do povão. Quanto ao promotor, só nos resta pedir a Deus para que procure outras paragens. Quanto aos homens da polícia, só nos resta pedir que façam jus ao salário que ganham, vigiando a praça com a constância e com a persistência necessárias.

A verdade é que estou cansado das noites mal dormidas por culpa da falta de juízo desses usuários da praça, e por culpa da inépcia das autoridades. Obrigado, sr. diretor, pelo espaço e pela oportunidade. Sensibilizado eu agradeço, e me firmo respeitosamente. (Roberto Braga - RG 3.685.511)