08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Função de vereador


| Tempo de leitura: 3 min

Seis anos vividos na Câmara Municipal, como vereador, dão-me a oportunidade, a poucos dias das eleições municipais, de fazer algumas reflexões sobre a real missão de um vereador, sobre campanha eleitoral e outras coisas mais.

É difícil a missão do vereador, político que mais se identifica com sua comunidade. Estando em permanente contato com o povo, é o primeiro a ser procurado quando se tem um problema comunitário ou, muitas das vezes, particular a ser resolvido. São as contas da farmácia, do mercado, do aluguel vencidas e o pobre eleitor sem recursos para pagá-las. Nessas horas, o vereador tem que solucionar o problema sob pena de perder para sempre aquele eleitor em dificuldade.

Assim agindo, o vereador se vê na obrigação de admitir o caminho do paternalismo, tornando-se um prestador de serviço nos mais diferentes setores de atividades. Para tudo o vereador é lembrado e solicitado.

Em se tratando de vereador da situação, aquele que tem as graças do Prefeito por lhe dar sustentação política na Câmara, as coisas ficam mais fáceis. Em sendo da oposição, a coisa se complica e o vereador oposicionista vive o desprazer de não conseguir atender os muitos pedidos que lhe chegam no dia-a-dia que de legislador e de fiscalizador, muito pouco tem a ver com o que o leitor, verdadeiramente, exige dele. Daí a fragilidade das Câmaras Municipais que, na maioria das vezes, deixam de exercer seu papel constitucional com autonomia e independência.

Contudo, o vereador continua sendo líder da sua comunidade, aquele amigo e conselheiro de todas as horas, muitos deles se dedicando por inteiro à vereança, com isso lhe custando muitas renúncias e sacrifícios, incompreensões e inimizades. Vocação para legislar é o que não falta àqueles que receberam delegação do povo para tanto, mas o despreparo escolar e cultural da grande maioria torna-os frágeis e facilmente dirigidos pelo Chefe do Executivo por culpa dos próprios eleitores que literalmente, os corrompem pedindo-lhes favores pessoais em troca de seus votos.

Portanto, exerçamos o nosso direito de voto pensando na coletividade, consciente de que a função do vereador é legislar e fiscalizar os atos do Prefeito, que, por sua vez, tem a função de executar ações que gerem emprego, renda e qualidade de vida, com transparência e honestidade.

Dentro do exposto, não se admite que, candidatos a vereador prometam mais que isso em suas campanhas. Um vereador não pode fazer ou executar uma obra, não tem competência para oferecer mais segurança, nem deve prometer mais saúde ou emprego à população, pois essas são tarefas de outras esferas do poder. O vereador pode até cassar o mandato de um Prefeito diante de improbidade administrativa ou de comprovados casos de corrupção, superfaturamentos e outras mazelas.

Devemos, portanto, ficar atentos ao horário político para comprovar se o nosso candidato a vereador está prometendo mais segurança, educação, emprego, saúde, moradia ou dentadura. Encontrando-o, devemos perguntar-lhe como isso será feito e se ele conhece, de fato, a Lei Orgânica do Município.

Como católico, não sou contra o apoio dado pelos padres e pastores evangélicos aos candidatos que professam suas crenças. Cabe sim aos padres, bispos e pastores, encorajar os leigos para a vida política, atuando nos partidos que eles próprios escolham. A política é uma atividade muito importante, e bem sabemos que o amor e a justiça, como descritos no Evangelho, não passarão das palavras aos atos a não ser por meio de opções e atuações políticas. O que, realmente, não podemos admitir nessa campanha eleitoral, é o uso do nome de Deus em vão. (Gino Crês - professor)