Na opinião do presidente
da Associação dos Feirantes
de Bauru, Moisés Bastos, a regulamentação
das feiras livres
pode ser uma “faca de
dois gumes”.
Ele afirma que a categoria
precisa estudar com calma o
documento proposto pela Secretaria
Municipal de Agricultura
e Abastecimento porque
há pontos em que os feirantes
discordam da prefeitura.
Bastos preferiu, entretanto,
não citar quais são as críticas
da associação sobre o documento.
“Já fizemos uma
reunião, mas tem pontos delicados,
temos de ver com calma”,
expõe.
O presidente da associação
justifica que a regulamentação
tem de ser boa tanto para
a prefeitura quanto para os
feirantes. “A feira é regulamentada
por tradição e começou
antes das leis. Ela não está
sendo criada agora. É a regulamentação
que está sendo
criada”, argumenta.
Apesar das colocações,
Bastos afirma que os feirantes
são a favor da regulamentação
porque ela garantiria a
eles melhor estrutura de trabalho.
“Somos a favor, mas uma
transição política não é o momento
ideal. O momento de
agora é delicado e crítico”,
avalia.
Na opinião dele, a secretaria
tem dado bastante apoio à
categoria e a feira livre de
Bauru teria melhorado em alguns
aspectos. “O relacionamento
com os moradores está
melhor. Tem alguns que são
mais críticos e reclamam um
pouco mais, mas sempre é resolvido”,
garante.
“A gente tenta melhorar fazendo
palestras sobre a melhoria
da qualidade das frutas e
verduras e sobre a manipulação
dos produtos. Tentamos
melhorar o visual e o atendimento”,
acrescenta.
Embora haja avanços, há
também problemas. Um deles
é a falta de sanitários móveis
para os feirantes. Atualmente,
eles dependem de comerciantes
e moradores, que cedem
os banheiros de seus estabelecimentos
e casas.
Bastos reclama mas, por
outro lado, diz que os feirantes
já se acostumaram à situação.
“Talvez sanitários móveis
seriam a melhor alternativa.
Em algumas feiras há dificuldades
de conseguir banheiros
e, infelizmente, a gente
não tem acesso. Então a gente
tem de correr atrás de alguma
forma e isso dificulta”, conta.
Outra reclamação da associação
refere-se à segurança.
“Temos um grande problema
a respeito de policiamento. O
sonho da feira livre é voltar a
ter um policial destacado para
as feiras, como antigamente.
Pela quantidade de feirantes e
pelo fluxo de pessoas que andam
e compram nas feiras, seria
interessante”, enfatiza o
presidente da entidade.
Segundo a Polícia Militar
(PM), contudo, a quantidade
de ocorrências registradas nas
feiras de Bauru não é grande
Bastos não ignora o problema
da limpeza e admite que a
colaboração dos feirantes precisa
melhorar. “A gente tenta
fazer o melhor possível. Só
que tem um lixo gerado pela
feira como um todo, como papéis
que as pessoas jogam no
chão. E sempre tem alguns
que não querem limpar o que
não é deles. Sempre tem aqueles
que não colaboram”, lamenta
Bastos.