08 de julho de 2026
Bairros

Feiras aguardam regulamentação

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Tradicionais e bastante

freqüentadas na cidade, as feiras

livres sobreviveram durante

muitos anos em Bauru sem

grandes avanços. Ainda há carências,

entre elas estruturais,

que roubam parte do potencial

que esse tipo de comércio

tem. Muitas mudanças dependem,

em grande parte, da regulamentação

das feiras, que ainda

não foi feita pelo poder público

local.

Como diz o ditado popular,

“o amor é cego” e nem todos

os freqüentadores assíduos

percebem as benfeitorias

que poderiam ser implantadas

nas feiras livres, melhorando

a imagem do local e beneficiando

clientes, moradores

dos bairros, feirantes e poder

público.

Por outro lado, há muitas

reclamações que partem de diversos

segmentos da cidade e

chegam à Secretaria Municipal

de Agricultura e Abastecimento,

responsável pelo gerenciamento

das feiras.

Os assuntos são polêmicos.

Entre eles, estão a questão

da padronização de bancas,

estabelecimento de horários

para montagem e desmontagem

de barracas, limpeza

das ruas, etc.

De acordo com o titular da

pasta de Agricultura e Abastecimento,

Seiko Tokuhara, o

texto da regulamentação com

as propostas para as feiras livres

já foi escrito. O documento

teria sido enviado à Associação

dos Feirantes de Bauru

para discussão de eventuais

pontos de divergência. Posteriormente,

seria enviado à Câmara

Municipal.

O presidente da entidade, Moisés Bastos,

afirma que a categoria está estudando o assunto.

“Já fizemos uma reunião, mas tem pontos delicados,

temos de ver com calma”, argumenta.

O JC nos Bairros não teve

acesso ao texto da regulamentação.

O secretário

Tokuhara alegou que não gostaria

de divulgá-lo sem as alterações

propostas pelos feirantes.

A associação, por sua

vez, argumenta que ainda não

analisou todo o documento.

Em entrevistas com feirantes

nas ruas, a equipe de reportagem

constatou que muitas

das sugestões para, mudanças,

e melhorias partem inclusive

dos próprios feirantes.

Victor Fernandez, por

exemplo, vende ração para

animais em algumas feiras de

Bauru e faz críticas ao modelo

atual dos locais em que trabalha.

Ele defende a padronização

das barracas; a realização

de feiras em áreas institucionais

(não mais nas ruas); o

controle da saúde dos feirantes

por parte da prefeitura e

propostas para destinação do

lixo, entre outras coisas.

“Acho que as secretarias

teriam de trabalhar melhor

em função das feiras. Por

exemplo, colocar árvores nas

ruas, que não têm. A mercadoria

deteriora cedo com o calor”,

expõe.

O feirante cita também a

falta de sanitários públicos e

de local para que os clientes

estacionem seus veículos.

“Muita gente deixa de vir à

feira porque não tem onde estacionar”,

afirma Fernandez.

Já Sérgio Leite, que tem

uma barraca de pescados,

acredita que falta segurança

nas feiras. “Do jeito que está

a criminalidade, a feira tornase

um lugar muito exposto.

Tem momentos em que não

sabemos com quem estamos

lidando. Se tivesse um policiamento,

a feira seria melhor”,

avalia.

Para Edmarcos Aranha,

que vende verdura, o grande

problema é a limpeza. “Se cada

feirante limpasse a sua parte,

não teria problema. Mas

tem alguns que vão embora

sem limpar”, diz.

Ele critica também a fiscalização

feita pela prefeitura.

“É fraca. Deveriam colocar

pessoas mais competentes para

fiscalizar a feira; 90% dos

fiscais deveriam ser trocados.

Eles entendem pouco de feira

e não ajudam”, enfatiza.

Outros feirantes, porém,

estão satisfeitos com a feira

como ela é hoje. “Eu adoro isso.

Sempre gostei de feira e

gosto de ser feirante. Adoro

trabalhar com o público”, afirma

Osvaldo Aparecido Colasso,

vendedor de legumes.

O feirante tem bom relacionamento

com os vizinhos.

“Eu procuro não fazer barulho.

Procuro fazer tudo certo

e nunca recebi reclamação de

morador”, orgulha-se.