Tradicionais e bastante
freqüentadas na cidade, as feiras
livres sobreviveram durante
muitos anos em Bauru sem
grandes avanços. Ainda há carências,
entre elas estruturais,
que roubam parte do potencial
que esse tipo de comércio
tem. Muitas mudanças dependem,
em grande parte, da regulamentação
das feiras, que ainda
não foi feita pelo poder público
local.
Como diz o ditado popular,
“o amor é cego” e nem todos
os freqüentadores assíduos
percebem as benfeitorias
que poderiam ser implantadas
nas feiras livres, melhorando
a imagem do local e beneficiando
clientes, moradores
dos bairros, feirantes e poder
público.
Por outro lado, há muitas
reclamações que partem de diversos
segmentos da cidade e
chegam à Secretaria Municipal
de Agricultura e Abastecimento,
responsável pelo gerenciamento
das feiras.
Os assuntos são polêmicos.
Entre eles, estão a questão
da padronização de bancas,
estabelecimento de horários
para montagem e desmontagem
de barracas, limpeza
das ruas, etc.
De acordo com o titular da
pasta de Agricultura e Abastecimento,
Seiko Tokuhara, o
texto da regulamentação com
as propostas para as feiras livres
já foi escrito. O documento
teria sido enviado à Associação
dos Feirantes de Bauru
para discussão de eventuais
pontos de divergência. Posteriormente,
seria enviado à Câmara
Municipal.
O presidente da entidade, Moisés Bastos,
afirma que a categoria está estudando o assunto.
“Já fizemos uma reunião, mas tem pontos delicados,
temos de ver com calma”, argumenta.
O JC nos Bairros não teve
acesso ao texto da regulamentação.
O secretário
Tokuhara alegou que não gostaria
de divulgá-lo sem as alterações
propostas pelos feirantes.
A associação, por sua
vez, argumenta que ainda não
analisou todo o documento.
Em entrevistas com feirantes
nas ruas, a equipe de reportagem
constatou que muitas
das sugestões para, mudanças,
e melhorias partem inclusive
dos próprios feirantes.
Victor Fernandez, por
exemplo, vende ração para
animais em algumas feiras de
Bauru e faz críticas ao modelo
atual dos locais em que trabalha.
Ele defende a padronização
das barracas; a realização
de feiras em áreas institucionais
(não mais nas ruas); o
controle da saúde dos feirantes
por parte da prefeitura e
propostas para destinação do
lixo, entre outras coisas.
“Acho que as secretarias
teriam de trabalhar melhor
em função das feiras. Por
exemplo, colocar árvores nas
ruas, que não têm. A mercadoria
deteriora cedo com o calor”,
expõe.
O feirante cita também a
falta de sanitários públicos e
de local para que os clientes
estacionem seus veículos.
“Muita gente deixa de vir à
feira porque não tem onde estacionar”,
afirma Fernandez.
Já Sérgio Leite, que tem
uma barraca de pescados,
acredita que falta segurança
nas feiras. “Do jeito que está
a criminalidade, a feira tornase
um lugar muito exposto.
Tem momentos em que não
sabemos com quem estamos
lidando. Se tivesse um policiamento,
a feira seria melhor”,
avalia.
Para Edmarcos Aranha,
que vende verdura, o grande
problema é a limpeza. “Se cada
feirante limpasse a sua parte,
não teria problema. Mas
tem alguns que vão embora
sem limpar”, diz.
Ele critica também a fiscalização
feita pela prefeitura.
“É fraca. Deveriam colocar
pessoas mais competentes para
fiscalizar a feira; 90% dos
fiscais deveriam ser trocados.
Eles entendem pouco de feira
e não ajudam”, enfatiza.
Outros feirantes, porém,
estão satisfeitos com a feira
como ela é hoje. “Eu adoro isso.
Sempre gostei de feira e
gosto de ser feirante. Adoro
trabalhar com o público”, afirma
Osvaldo Aparecido Colasso,
vendedor de legumes.
O feirante tem bom relacionamento
com os vizinhos.
“Eu procuro não fazer barulho.
Procuro fazer tudo certo
e nunca recebi reclamação de
morador”, orgulha-se.