De nova, a estratégia não tem nada, mas para muitos candidatos a prefeito e a vereador visitar locais públicos, como as feiras livres, é uma arma importante para conquistar o tão sonhado voto. Prova disso é que, na manhã de ontem, a feira da rua Gustavo Maciel, uma das mais movimentadas de Bauru, foi disputada fervorosamente pelos políticos, que utilizaram os mais variados artifícios para tentar convencer os consumidores/eleitores e tentar curar a verdadeira tensão pré-eleitoral que sofrem há pouco menos de uma semana do “dia D”, ou melhor, “Dia E” (dia da eleição).
Exemplo disso pôde ser visto logo no momento da chegada da reportagem do JC à feira, por volta das 10h, quando os prefeitáveis Estela Almagro (PT) e Clodoaldo Gazetta (PV) já distribuíam sorrisos, abraços e tapinhas nas costas dos presentes nos primeiros metros da feira, próximos à rua 1.º de Agosto. Concorrendo metro a metro, os adversários chegaram até a cumprimentar-se com um educado aperto de mãos e iniciaram, em momentos distintos, a maratona ao longo das barraquinhas e da multidão que comprava frutas, verduras e legumes e pesquisava os preços.
Mesma tática adotaram vários candidatos a vereador, já figurinhas carimbadas na feira. A exemplo dos prefeitáveis, não se intimidaram com o forte calor. Mas, no corpo a corpo pela garantia de mais admiradores para suas propostas, tudo era válido: desde brincar animadamente com os eleitores, abordá-los com largos sorrisos em clima de alto astral até entregar os famigerados “santinhos”. Apesar de sujar o chão, a quantidade de “santinhos” demonstrava o quanto concorrido e “fervendo” politicamente estava a feira da Gustavo ontem.
Uma prova do vale-tudo e um claro sintoma da tensão pré-eleitoral foi demonstrada por um candidato a vereador do PFL, que apesar de apoiar a candidatura de Luiz Carlos Valle (PSB) à prefeitura, não se envergonhou em cercar, conversar empolgadamente e entregar um “santinho” a um eleitor que, usava um boné do candidato Caio Coube (PSDB) à prefeitura.
Outros aproveitaram-se de seu apelidos veiculados durante o horário político de propaganda eleitoral para vestir fantasias alusivas a seus nomes. “Preciso usar a imagem, pois não tenho dinheiro suficiente para a campanha. Sempre venho aqui na feira, pois candidato que quer representar o
povo tem de estar sempre no meio dele”, ressaltou um candidato do PT do B.
Houve, ainda, quem apelasse para as esposas para reforçar a luta pela obtenção de mais preciosos votinhos, caso de dois candidatos à Câmara Municipal - um tucano e outro pedetista. “Não trabalho sem ela”, disse o primeiro. “Depois que minha mulher começou a me ajudar, estou até subindo nas pesquisas. É um reforço tão bom quanto o do Pelé. O negócio é gastar sola de sapato e tudo ao nosso alcance nessa última semana”, garantiu o segundo, comparando a esposa ao “Rei do Futebol”.
Por fim, completavam o “caldeirão” político da feira da rua Gustavo Maciel ontem, os sempre presentes cabos eleitorais. Trajados com camisetas e bonés com as cores de seus candidatos, rodavam por toda a extensão da feira levando a tiracolo, invariavelmente, bandeiras e “santinhos”, que eram distribuídos em locais estrategicamente selecionados.
Esforço à-toa?
Se depender da vontade de muitos feirantes e consumidores entrevistados pela reportagem do JC, a tensão pré-eleitoral dos candidatos a prefeito e a vereador tem tudo para continuar ou até aumentar. Isso porque muitos afirmaram que as estratégias de caras, bocas, apertos de mão, tapas nas costas e “santinhos” não são suficientes para definir ou mudar o voto.
Exemplo disso é o casal bauruense Luiz Carlos Rossi e Lucinda Pacheco, que a reportagem abordou logo após ter recebido um “santinho” de um candidato a vereador. “Já decidimos nosso voto e, para a gente, esse negócio de “santinho” não adianta nada. Apesar disso, já presenciamos pessoas escolherem o candidato após pegarem um folheto de candidato em plena fila de votação”, pondera Rossi.
Mesma decisão demonstrou a jovem Graziela Baracat Vianna, que carregava em uma das mãos a lista de compras e um “santinho”. “Nem adianta aparecer com promessa para cima de mim. Já sei em quem vou votar e não é esse corpo a corpo que vai me fazer mudar de idéia”, enfatizou.
Já o feirante Raimundo Soares de Freitas, há dois anos na atividade, ressaltou já ter recebido inúmeros pedidos de votos durante o trabalho em sua barraca de frutas e legumes. Apesar disso, revelou ainda estar indeciso. “Por enquanto, ninguém ainda me convenceu”, frisou. Mesmo assim, ele apóia a iniciativa dos candidatos. “É importante porque é uma forma de ajudar a gente a se decidir”, acrescentou.
Quem também ainda não escolheu seus candidatos foi a experiente feirante Maria Luiza, há 12 anos no ramo. Ela contou não ter recebido tantas solicitações de votos por conta da correria no trabalho, apenas “santinhos”. “Ainda estou estudando as opções, mas os candidatos vão ter de gastar muita sola de sapato se quiserem meu voto”, concluiu.