09 de julho de 2026
Esportes

Copa FederaçãoNoroeste viveu uma noite de terror

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 5 min

“Tivemos uma noite de terror em Santa Bárbara D’Oeste, parecida com o filme Sexta-Feira 13”, afirmou Celso Zinsly, tentando sintetizar o que aconteceu terça-feira, após o empate de 1 a 1 entre Noroeste e União Barbarense, pela segunda fase da Copa Federação Paulista de Futebol.

Segundo Zinsly, gerente de futebol do Noroeste, o clima ruim já estava armado, argumentando que os jogadores do Barbarense não pensaram em jogar futebol e sim, apelar para o antijogo.

“O árbitro da partida foi outro culpado pelo espetáculo deprimente, por não conter a violência. Foi conivente, portanto. Mas arbitragem ruim e jogadas violentas sempre existiram e continuarão existindo. Tudo isso faz parte. Não deveria, mas faz. O que nos revolta mais foi a atitude dos policiais militares, despreparados para exercer uma função tão importante e mesmo nobre, como é a segurança”.

Quando os jogadores se dirigiam para o túnel do vestiário, após o jogo, houve troca de ameaças, causando uma briga. Os PMs, segundo Celso Zinsly, ao invés de intervir, acalmar os ânimos, chegaram correndo, usando o spray de pimenta e o cassetete de borracha.

E depois que os alvirrubros foram para o vestiário, as ameaças continuaram por parte dos torcedores, com pedras, socos nas portas e janelas. “Os policiais não protegiam, só ameaçavam. Os dirigentes do Barbarense também não ajudaram em nada. Se nossa torcida estivesse lá, haveria mortes”, disse Celso. A delegação do Noroeste só conseguiu sair do estádio por volta da meia-noite.

“Fui protestar contra o chefe do policiamento e ele disse que tinha sangue nas veias. Achei absurda essa declaração e disse ao sargento que ele era um despreparado para exercer o cargo. Tanto é que ele me deu o prazo de dez minutos para deixar o estádio, caso contrário não se responsabilizaria por nossa segurança. O jogo acabou às 21h50 e ele deu o prazo às 22h15. Como era que a gente podia deixar o local em dez minutos sem arrumar as coisas, tomar banho, jogadores passando mal e torcedores lá fora nos esperando para agredir”.

Baixas

O Noroeste voltou com quatro baixas de Santa Bárbara. Luís Carlos levou alguns pontos no seu supercílio, por causa de uma cotovelada, mas isso foi durante o jogo. Vina e Alan levaram muitos golpes de cassetetes, enquanto Gileno e o técnico Edison Só sentiram-se mal em virtude do gás de pimenta nos olhos. Gileno vomitou muito e precisou ser medicado.

“Uma covardia o que fizeram com a gente, principalmente por parte da polícia”, afirmou Gileno. “Foi uma briga entre os jogadores dos dois times, mas os policiais só viram um lado”, completou o atacante.

O goleiro Maurício, o zagueiro Arthur e o meia Vina eram os mais revoltados. Vina disse que apanhou dos atletas adversários e da polícia, além de criticar o preparador físico do Barbarense. Arthur, por sua vez, declarou que o árbitro deixou o jogo correr solto, mas que o maior culpado pelo ocorrido foi o preparador físico do time da casa.

“A comissão técnica deles agitou o jogo todo. A briga começou mesmo com o fisicultor. Houve um empurra-empurra, alguns jogadores correram para ajudar o professor e a polícia veio correndo. Não para apartar e sim para dar porrada na gente”, explicou Arthur, dizendo que depois, no vestiário, o ambiente continuou ruim.

“No corredor do vestiário, algumas pessoas nos cercaram, com a polícia querendo qualquer coisa da gente. Cheguei a pegar um extintor de incêndio para me defender”, completou Arthur.

Noroeste e Barbarense voltam a se enfrentar nesta sexta-feira, às 20h, em Bauru, e a única preocupação de Celso Zinsly é com um eventual revide por parte dos jogadores do Noroeste.

“Está difícil segurar a rapaziada. O sentimento é de pura revolta. Apesar de tudo o que aconteceu, daremos toda segurança ao União Barbarense”, explicou o gerente de futebol do Noroeste.

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Erro de todos

Segundo o jornalista Luiz Peninha, editor do jornal Todo Dia, de Americana, cidade vizinha a Santa Bárbara D'Oeste, que presenciou todos os fatos ocorridos após o jogo de anteontem entre Noroeste e Barbarense, todos erraram no episódio.

“Foi lamentável. Os dois times erraram ao ficar batendo boca em campo logo após o término do jogo. Os caras (jogadores) são pagos para jogar bola, não para fazer o que fizeram. Acabaram dando um tremendo mau exemplo para os poucos torcedores que foram ao estádio”, comentou.

A confusão, segundo versão do jornalista, ocorreu a partir do bate-boca dos jogadores e nada teria acontecido se todos fossem para o vestiário, como seria normal. Ainda segundo Peninha, a PM tentou separar os jogadores que discutiam. “Não sei se houve excessos ou não, o que posso afirmar é que vi um copo de água sendo atirado em cima dos policiais, o que acabou gerando violência. É difícil falar se este ou aquele lado estava errado, todo mundo errou ao ficar em campo discutindo”, contou.

A reportagem do Jornal da Cidade tentou ouvir a PM local, mas como não foi registrado boletim de ocorrência, ninguém pôde comentar o caso. Não foi possível também ouvir ninguém do União Barbarense. O técnico Sérgio Farias declarou ao jornal Todo Dia que “o clima tenso foi causado por erros da arbitragem”.

Segundo a imprensa local, a repercussão da briga foi pouca na cidade, mais preocupada com o dérbi local, contra o Rio Branco de Americana pela Série C do Brasileiro, neste sábado. Devido a este jogo, a maior parte dos atletas que enfrentaram o Noroeste não devem estar presentes no confronto de amanhã, novamente entre o Alvirrubro e o time de Santa Bárbara.

David Cintra