31 de maio de 2026
Bairros

DAE discutirá hoje adoção de rodízio

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A diretoria do Departamento de Água e Esgoto (DAE) irá se reunir hoje pela manhã para avaliar a situação do abastecimento de água em Bauru e poderá, inclusive, anunciar a adoção do sistema de rodízio, procedimento já utilizado em 2002. A autarquia espera a ajuda da chuva para dispensar a implantação da medida, que tem como objetivo amenizar a situação dos bairros que estão sendo mais afetados pelo desabastecimento.

“Vamos analisar como foi o comportamento dos reservatórios e do rio Batalha durante a noite e, em função disso, decidiremos se continuaremos realizando o fornecimento de água da forma como vem sendo feita ou se entraremos no esquema de rodízio”, anuncia a presidente do DAE, engenheira Nilcéia de Paes Lourenço.

Segundo números divulgados pela autarquia, a vazão do rio Batalha, que abastece 42% da cidade, sofreu acentuada queda desde anteontem. Com isso, a Estação de Tratamento de Água (ETA) deixou de gerar 1.980 metros cúbicos por hora para fornecer 1.580 metros cúbicos por hora, redução de aproximadamente 21%. O restante da cidade é abastecido por 28 poços profundos.

Com menos água sendo produzida, as regiões mais altas da cidade são as mais afetadas, como o Higienópolis e Vila Souto, que há mais de 15 dias vêm sofrendo com o desabastecimento quase diário. A presidente do DAE afirma que, caso a reunião de hoje defina a adoção do rodízio, os setores atingidos pela medida serão divulgados imediatamente.

Segundo ela, o procedimento não envolve apenas os bairros abastecidos pelo rio Batalha. “Alguns locais em que o fornecimento de água é feito por poços também entrarão no esquema”, projeta.

Nilcéia afirma, porém, que o rodízio será adotado apenas em último caso. “É um procedimento que penaliza alguns setores, enquanto as medidas que estamos adotando atualmente atendem a todo mundo, já que as pessoas podem pegar água à noite. Há locais em que a casa não tem caixa ou a tubulação do banheiro é ligada à rua, mas são casos esporádicos”, argumenta.

Apesar disso, as reclamações de falta d’água se multiplicam nos bairros. Setores como Vila Souto, Vila Nipônica, Vila Cardia, Higienópolis e Núcleo Geisel estão entre os mais atingidos.

De acordo com a presidente do DAE, os consertos de vazamento na rua estão sendo priorizados para tentar amenizar o problema. “Nessa época de estiagem, esse tipo de problema acaba prejudicando o abastecimento por mais tempo”, justifica.

Ela diz, ainda, que o cronograma da autarquia prevê, em 2005, a perfuração dos poços Primavera, Val de Palmas e Marabá. A partir de 2006, a intenção do DAE é iniciar o processo para captação no córrego da Água Parada, que vem sendo analisado há cerca de seis anos.

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Apoio ao revezamento

Caso o Departamento de Água e Esgoto (DAE) decida implantar o sistema de rodízio de abastecimento em Bauru, encontrará apoio entre a maioria dos usuários ouvidos pela reportagem. A aposentada Maria do Carmo Martins que mora na Vila Souto, um dos bairros mais atingidos pela falta d’água, apóia a medida.

Ontem, por exemplo, ela só começou a receber água no meio da tarde. “A gente já nem pensa mais em limpar quintal, porque tem que priorizar o banho e a louça. Acho que o rodízio seria uma medida mais justa”, opina.

Embora o Parque União esteja fora da lista de bairros mais afetados pelo desabastecimento, a dona de casa Maria Fátima dos Santos concorda com o rodízio. “A gente tem que se unir nesse momento. Se for para ajudar outras pessoas, acho válido”, comenta.

A dona de casa Albina do Carmo Nadeiro, que mora no Jardim América, outra região que vem recebendo água normalmente, tem a mesma opinião. “Se não há outo jeito, acho correto. É uma medida que poderia ser adotada à noite. Se houver um esquema bem organizado, poderemos nos programar”, declara.

O aposentado Luiz Augusto Nascimento, que também mora no Jardim América, tem outra visão. “Acho que o DAE deveria arrumar uma maneira de produzir mais água ou combater o desperdício, e não punir quem não está sendo afetado”, critica.