Em assembléia realizada ontem à noite no Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, a categoria decidiu manter a greve, que entra hoje no 16.º dia. Dos 153 trabalhadores presentes, 127 votaram pela continuidade da paralisação. A decisão foi a mesma tomada na assembléia ocorrida na Capital paulista, mesmo com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2.ª Região, em São Paulo, tendo determinado que 60% do contingente de bancários de cada agência de todo Estado voltasse a trabalhar a partir de hoje.
De acordo com o diretor do sindicato Marcos Silvestre, ontem a adesão ao movimento grevista em Bauru teve uma pequena queda, de 85% para cerca de 80%. “Mas isso é normal quando se trata de uma paralisação longa. Nós decidimos continuar porque a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ainda não apresentou uma nova proposta e continua insistindo na que oferece 8,5% de reposição salarial.” A categoria pede 25% de reajuste.
De acordo com Silvestre, a decisão do TRT de São Paulo não afeta as cidades do Interior do Estado. “O TRT da 2.ª Região abrange apenas a Capital e uma parte do litoral paulista. Para o Interior, só valeria se a decisão fosse do Tribunal da 15.ª Região, que fica em Campinas. Apesar disso, nós repudiamos a decisão do TRT. Ela é absurda e autoritária”, afirma.
Segundo Silvestre, as assembléias realizadas ontem no Rio de Janeiro e em Brasília também decidiram pela manutenção da greve. Em comunicado oficial do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região divulgado na noite de ontem, consta que a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) - entidade que congrega mais de 3 mil juízes - considera o movimento legítimo.
No final da tarde de ontem, os bancários fizeram uma passeata no Centro da cidade para protestar e cobrar a reabertura das negociações entre a categoria e a Fenaban. Além disso, criticaram a decisão do TRT da 2.ª Região sobre a reabertura das agências bancárias.
A categoria reivindica 25% de reposição salarial, garantia de emprego, contratção de mais funcionários para reduzir as filas nas agências, participação no lucro bruto dos bancos, entre outros itens.
A Fenaban ofereceu reajuste de 8,5% para todos e mais R$ 30,00 para quem ganha até R$ 1,5 mil, participação nos lucros e resultados (PLR) de 80% do salário mais R$ 705,00 e uma cesta-alimentação extra de R$ 217,00.
Aposentados
De acordo com o diretor do sindicato Roberto Machini, também ficou definido na assembléia de ontem à noite que, se a greve permanecer até amanhã ou na próxima semana, os grevistas se organizarão em grupos para auxiliar os aposentados a sacar seu benefício nas agências do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF).
Para os bancos privados - com exceção do Bradesco, que está funcionando com liminar judicial de interdito proibitório -, até ontem não havia sido traçada nenhuma estratégia para um possível auxílio aos aposentados para operar os caixas eletrônicos.
O pagamento dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começa amanhã e prossegue até o dia 7. A maioria dos aposentados tem o hábito de retirar o dinheiro nos guichês das agências, e durante a greve não há funcionários nos bancos ensinando a utilizar o auto-atendimento.
Amanhã, serão liberados os pagamentos para os aposentados cujo número final do benefício seja 1 e 6. De 4 a 7 de outubro serão pagos, respectivamente, os benefícios com finais 2 e 7, 3 e 8, 4 e 9 e, por último, 5 e 0.
“Nós decidimos que os grevistas ficarão nas agências do BB e da CEF para auxiliar os aposentados que não souberem operar o caixa eletrônico. Além disso, também estaremos liberando o cartão magnético e a senha para aqueles que receberão o benefício pela primeira vez. Não queremos prejudicar os aposentados”, garante Machini.
Em todo País estão previstos no período de 1 a 7 de outubro os pagamentos a cerca de 22,8 milhões de beneficiários da Previdência Social, num total de R$ 10,2 bilhões. De acordo com o INSS, deste total de segurados, 7,5 milhões recebem seus pagamentos por meio de conta corrente e 15,3 milhões com o cartão magnético.
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INSS
De acordo com o gerente executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Bauru, Josué Lopes Moreira, na cidade há um total de 58.247 benefícios mantidos (não há dados separados sobre quantos são de aposentadoria). Na área de abrangência da gerência executiva, que contempla 57 municípios, são 196.586 benefícios ao todo.
“As pessoas que souberem utilizar os caixas eletrônicos não terão problemas com a greve dos bancários, pois o saque do dinheiro é feito com um cartão magnético que todos os aposentados têm”, observa Moreira.
O aposentado Teodorico Adriano dos Santos, 81 anos, tem o cartão magnético mas confessa que nunca o utilizou nos caixas eletrônicos. “Eu sempre vou no caixa do banco para receber. Nunca mexi naquelas máquinas.”
Marilena Sponton Brito, 65 anos, também costuma ir direto aos guichês. “Eu nunca usei as máquinas (caixas eletrônicos). Sempre vou direto no caixa porque aproveito para pagar contas e sacar dinheiro. Eu não sabia que, com a greve, os funcionários que ficam orientando a usar o auto-atendimento também não estão trabalhando”, diz.