11 de julho de 2026
Geral

Novo bolsão de entulho fica na área de foco da leishmaniose

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

O Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva (Bauru 16) ganha a partir de hoje um bolsão de entulho, que ajudará no controle de uma erosão e garantirá a destinação de materiais de construção civil inservíveis. A notícia seria boa, não fosse o hábito da população de aproveitar esses locais para depositar lixo orgânico e o fato de a região ser foco de leishmaniose, com 19 dos 32 casos em humanos registrados em Bauru desde setembro do ano passado.

Neste período, seis moradores do Bauru 16 contraíram a doença, transmitida pelo mosquito palha que procria-se em material em decomposição. Conforme o JC constatou, o novo bolsão de entulho, que substituirá o utilizado no Pousada da Esperança cuja capacidade foi esgotada, já vem recebendo detritos de toda ordem.

Ele está situado a cerca de 500 metros da casa onde morava uma mulher que foi infectada pela leishmaniose e não resistiu. “Isso é um absurdo. Eu já estava preocupada sem saber que o bolsão viria para cá. Já estava procurando casa para me mudar. Agora vou apressar a mudança”, conta Rosana Inocêncio dos Santos Camargo, irmã da vítima fatal da doença.

Moradora da mesma casa, ela também enfrentou o temor de ter contraído a leishmaniose. “Fiquei internada, no isolamento, no mesmo quarto da minha irmã. Foi horrível. Enquanto isso, vi gente enterrando animal morto em terreno. Tem cachorro com a doença passeando pela rua”, critica.

Confirma a informação, a vizinha Silvana Cristina Viana, mãe de uma criança de 1 ano e proprietária de um cão. “Vários cachorros já morreram da doença por aqui. Chega 17h eu fecho a casa toda. Morro de medo. Não foi uma boa notícia”, confessa.

O morador Luiz Fernando Ferreira também não gostou da novidade. Na opinião dele, o bairro só receberá o novo bolsão de entulho porque é pobre. “Por que não aproveitam as erosões do Jardim Estoril para fazer a mesma coisa? Antes de virar bolsão já vi caminhão jogando presunto e queijo estragados aqui”, reclama.

Mas se depender da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), o novo bolsão não receberá lixo orgânico. “Se vier, é irregular. A partir de sexta-feira de manhã (amanhã de manhã) uma pessoa ficará o dia inteiro (no local) para controlar o depósito de materiais”, explica o diretor do Departamento de Ações de Recursos Ambientais da Semma, Carlos Barbieri.

Associação

A Semma também incentiva a criação de uma Associação de Caçambeiros. Uma reunião que será realizada no Palácio das Cerejeiras, amanhã, às 16h, definirá a situação das empresas que trabalham com a deposição de entulhos.

“Há quatro anos eu batalho pela associação. Com ela, além de nos fortalecermos, sairíamos na frente”, diz o proprietário de uma empresa de caçambas, Rui Carneiro. Ele teme que a prefeitura coloque uma empresa privada para tomar conta dos bolsões, o que elevaria o custo dos serviços prestados.

“A tendência é a prefeitura sair (desse tipo de atividade). Só aqui em Bauru é de graça. A tendência é a gente pagar. É melhor que a gente esteja organizado para assumir isso”, diz Carneiro. Ele admite que, a partir da associação, o preço do frete da caçamba deve ser elevado. Dos R$ 30,00 deve passar para R$ 40,00. “O valor já está defasado”, conclui.

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Multa

A partir de amanhã, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) vai controlar o depósito de material no novo bolsão de entulho instalado no Bauru 16. Caso moradores, carroceiros ou caçambeiros se dirijam até lá para jogar material orgânico, um funcionário os orientará a procurar o aterro sanitário, instalado próximo às penitenciárias de Bauru.

Porém, se a informação não for suficiente para impedir o depósito de detrito em decomposição no bolsão, essas pessoas estarão sujeitas a uma multa de R$ 500,00, explica o diretor do Departamento de Ações de Recursos Ambientais da Semma Carlos Barbieri. Em caso de reincidência, o valor pode chegar a R$ 5 mil, além de autuações diárias.

A Semma dispõe de três fiscais que trabalham na rua e um fixo na secretaria. Como o número não é tão expressivo, o secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro, não nega preocupação com a situação. “Vou conversar com a Semma e com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) para discutir uma forma de evitar a deposição de material orgânico”, diz.

Ele cogitou a idéia de sugerir a permanência de uma máquina no local para aterrar o lixo orgânico depositado no bolsão. “O ideal é que todo mundo se conscientize de que entulho é entulho e não coloquem lixo”, reitera a diretora do Departamento de Saúde Coletiva, Maria Helena Abreu. Até ontem à noite, ela desconhecia a instalação do bolsão de entulho no Bauru 16.