08 de julho de 2026
Geral

Estudantes reforçam combate à doença

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

As ações de combate à leishmaniose em Bauru ganharão um reforço a partir da próxima quarta-feira. Isso porque. Cerca de 25 estudantes da Universidade do Sagrado Coração (USC) vão se unir aos agentes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) durante as atividades de visitas domiciliares, orientando os moradores sobre os riscos e formas de prevenção da doença.

O projeto é motivado pela carência de informação da população sobre a moléstia, que já contaminou 17 pessoas neste ano em Bauru neste ano. Mais de 1.200 cães contaminados ou com a suspeita da moléstia já foram sacrificados. A atividade é fruto de uma campanha organizada por alunos de biologia e farmácia da instituição de ensino em parceria com a administração pública.

Além de reforçar as equipes de visitação em todos os bairros da cidade, que contam com mais de 120 profissionais, os alunos realizarão palestras e atividades lúdicas em escolas públicas e estaduais da cidade, distribuindo folderes e cartazes explicativos. “O objetivo é orientar os moradores cuidar do seu quintal e como observar seus cães, educando todos os integrantes da família”, explica a coordenadora da campanha, a professora de biologia da USC Maricê Domingues Heubel.

O público-alvo do projeto serão as crianças, jovens e idosos, ressalta Maricê. “O plano é trabalhar com as pessoas que ficam efetivamente em casa. O intuito é sensibilizar a população”, diz. “Vamos rever folderes para deixá-los mais interativos para as crianças e fazer uma programação infantil na Rádio Veritas. Poderemos trabalhar também com a terceira idade”, completa.

Todos os trabalhos, explica Maricê, serão direcionados a informar e conscientizar a população sobre a leishmaniose. “Se existir prevenção, não terá a conseqüência que já está aparecendo”, observa. “É bem melhor gastar com prevenção do que com kits (para confirmação da doença em cães) ou tratamentos médicos”, diz. A orientação do Ministério da Saúde é para que todos os animais contaminados com a doença sejam sacrificados pois não existem tratamentos médicos oferecidos a eles pelos órgãos públicos.

O aumento dos casos de leishmaniose em humanos e em cães pode estar relacionado à carência de informações da população. Nesse âmbito, se destacam alguns mitos envolvendo a eutanásia dos cachorros contaminados pela doença, aponta o chefe de seção do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), o veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto.

Uma das idéias errôneas mais comuns é a de que os animais recolhidos ao CCZ são sacrificados em uma câmara de gás, método nunca utilizado pela SMS afirma Neto. Ele assegura que a unidade segue recomendações éticas de conduta veterinária. “A própria população criou esse mitos, fomentado muitas vezes pela informação errônea dada pela imprensa ou por procedimentos errados que talvez tenham sido utilizados no passado por alguns centros de zoonoses”, diz.

O veterinário explica que a eutanásia de todos os cães contaminados por leishmaniose é feita por meio de um anestésico letal aplicado individualmente nos animais. O procedimento causa a morte instantânea. “O sacrifício é feito através da administração intravenosa de um anestésico em dose elevada que, por si só, leva à morte”, detalha. O procedimento pode ser conferido pelo dono do animal, que assina uma declaração para a realização do sacrifício.

Além dos mitos, faltam informações quanto à forma de contágio da leishmaniose, aponta Neto. De acordo com ele, não existe qualquer possibilidade de transmissão da doença por contato direto entre cães ou entre animais e humanos. “Para ter o contágio, é preciso haver a ingestão do protozoário pelo mosquito. Se não houver o cão, que é o principal reservatório da doença, o mosquito vai achar outro animal para fazer o repasse sanguíneo (entre eles o homem)”, esclarece.

A leishmaniose é transmitida a cães e a humanos através da picada do mosquito palha infectado com um protozoário, que se aloja dentro de células do sistema imunológico. A doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea. Ela provoca um processo infeccioso e anemia, que podem causar a morte.

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Saúde inaugura canis no CCZ

Os cães recolhidos para sacrifício contaminados e também com suspeita de leishmaniose ficarão abrigados no canil de isolamento, uma das duas unidades que serão inauguradas hoje no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Contando com cerca de 15 celas, o espaço é rotativo e também serve para manter animais com outras moléstias, entre elas a raiva. De janeiro a agosto deste ano, 1.255 animais foram sacrificados, sendo que apenas 445 deles tiveram a doença confirmada.

Como o fornecimento de kits para a realização dos exames em cães foi suspenso temporariamente desde o mês passado por problemas de registro do fabricante junto ao Ministério da Agricultura e Produção Animal, os cães sob suspeita também passaram a ser sacrificados. Isso com o consentimento de seus proprietários. “A grande maioria dos animais que foi sacrificada não tinha exame positivo. Por exemplo, se a pessoa tem quatro cães e um deu positivo, ela não quer mais ficar com nenhum e resolve sacrificar todos”, diz José Gonçalves Neto, chefe de seção do CCZ.

“Mas a administração pública não está obrigando a população a entregar seus animais. O resgate dos cães suspeitos são solicitados pelos moradores. Nós temos como obrigação receber esses animais e todos são sacrificados no CCZ”, explica Neto.