Uma das piores embromações eleitorais que ouço e vejo nessa campanha eleitoral é quando candidatos aliados com alguém do governo estadual e federal alegam que os recursos só chegariam até nós condicionando o voto no partido que está mais próximo do poder. Isso não possui outro nome, é pura chantagem, além de ser um dos mais autoritários, absurdos e vis procedimentos usados para ameaçar a soberania dos eleitores.
Se a chegada do dinheiro estivesse de fato condicionada a esse relacionamento, estaria demonstrada a farsa da nossa federação. Utilizar dessa possível dependência em horário eleitoral é, no mínimo, falta de ética, para não usarmos termos mais fortes. Imagine um candidato a prefeito de Paris, Nova York ou Berlim, representando a situação, usando o argumento de que se a oposição ganhasse, a população ficaria a pão e água. Governos sérios não durariam nem meia hora depois de um anúncio semelhante.
Para aqueles que insistem na defesa desse procedimento facilitador, nada como a retaliação e retenção de recursos do município, num ato de desobediência civil. Seria mais ou menos assim, quando elegermos um candidato não sintonizado com o governo estadual ou com o federal, ficaria implícito que a cidade não remeteria mais os impostos recolhidos pelos seus cidadãos. Que será que eles achariam disso? Eu, diante de quem encara o repasse de recursos como um favor destinado a premiar lealdades políticas, e não um direito inalienável de cidadãos que pagam impostos aos governos, só tenho uma arma: não voto neles nem a pau.
Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2