Já dizia o guru pescador, Celso Couto Junior: “Mais fácil encontrar uma mulher para casar do que um bom parceiro de pescaria!” Mas para ele e outros 28 pescadores não foi muito complicado. Mesmo vivendo em cidades e estados diferentes, eles conseguiram organizar-se para uma aventura na região do Alto Xingu.
Em 2004, o grupo reuniu-se pela segunda vez, agregando novos amigos, substituindo aqueles que não puderam participar por motivos diversos e rumaram em busca de lazer, descanso, novos encontros e muita pescaria. O interessante é a forma como foi organizada a caravana para o Xingu. Desde o retorno da primeira aventura, em julho de 2003, eles já definiram a data da temporada 2004 e o mesmo já ocorreu com a viagem de 2005, marcada para o período de 1 a 10 de julho do próximo ano.
A organização é um dos fatores principais para o sucesso de uma “empreitada” deste tipo, pois com participantes de vários estados, alguns que ainda não se conhecem, e o envolvimento de transporte, tralha, rancho, alimentação, gostos e interesses distintos, é preciso muito bom senso e transparência para que tudo corra bem.
Parte da responsabilidade ficou a cargo do anfitrião, Atá Catalan, proprietário do Rancho Xingu e do Rancho Mutum, onde o grupo ficou hospedado, afinal, 29 pescadores ávidos para pescar exigiu habilidade da equipe receptiva, com piloteiros experientes, alimentação diversificada e paciência para atender aos caprichos da “multiculturalidade”. Não pôde faltar churrasco para os gaúchos e mesmo uma água quentinha sempre à mão, pois os adeptos do chimarrão não eram poucos. A incluir os paranaenses, que também apreciam o mate.
A organização de toda a viagem tem sido feita por meio da Internet. Os pescadores freqüentam o site Tupiniquim Brazilian Fly Tyer Team (www.tbftt.com.br), onde encontram todas as informações necessárias e formas de pagamento. Lá, os participantes têm acesso desde a espécies de peixes que vão encontrar, tipos de isca necessários até planilhas de pagamento e fotos de outras viagens. A Internet tem sido um importante aliado na organização, pois disponibiliza em tempo real tudo o que é discutido pelo grupo, por meio de fóruns.
O site é coordenado pelo paulistano Geraldo de Barros Monteiro Filho, que ao lado do carioca Marcio Carvalho de Mattos (BigMarcio), é o centralizador das informações e gerenciamento da viagem. Durante um ano, diariamente, a expedição para o Xingu foi discutida no site. Nem todos participam com freqüência, mas grande parte do grupo sempre marca presença para garantir o entrosamento da turma e o sucesso da pescaria. Pescaria? Na verdade, a pescaria não é o que mais importa, mas sim o encontro com amigos e o contato com a natureza é que fazem a diferença. Isso, com certeza são fatores que predominam em todas as pescarias. “Se tiver peixe, melhor”, assumem os pescadores.
Ansiedade
Muitos afirmam que o melhor da viagem são os preparativos. Cuidar de cada detalhe, escolher cada isca e pesquisar como ter o melhor desempenho durante uma pescaria pode entreter um pescador por meses. Um dos personagens da caravana do Xingu em 2004 foi o paranaense Carlos Eduardo Ogasawara (Oga). Frustrado por não ter acompanhado o grupo em 2003, Oga “respirou” a viagem durante os mais de 365 dias que antecederam a sua ida ao Xingu, em agosto passado.
“Fiquei praticamente 13 meses pensando nessa pescaria. Para mim, a pescaria havia começado há 13 meses. Pude me preparar bem para a viagem, pois estava adquirindo equipamentos de tudo quanto é marca, iscas, varas, etc. Mas, quando chegou a semana antecedente à viagem, confesso que a adrenalina e a ansiedade estavam saindo pelos poros... Aí a insônia começou a dominar um pouco as minhas noites”, relembra Oga.
A viagem, que para muitos pode até parecer cansativa, passou sem traumas, pois são mais de 30 horas de ônibus – isso dependendo do estado que se partiu -, depois quatro horas de microônibus (de Canarana, no Mato Grosso) até chegar no rio Kuluene, e mais uma horinha de barco. Ufa!
Chegando lá, tudo fica mais harmônico. “As pescarias se tornaram uma rotina extremamente agradável, onde pudemos conviver com os amigos da melhor forma possível, sempre perguntando ou respondendo os resultados do dia, ou do período. Os peixes se tornavam apenas detalhes dos dias, pois não havia nada melhor para quem estava pensando apenas em pressão no trabalho.”
Fugir da rotina é um dos motivos que levam grupos de amigos e familiares a lugares como o Xingu para relaxar e pescar. Desfrutar de boas companhias torna a aventura ainda mais gratificante, mas o melhor é fazer com que ela faça parte de muitos outros dias do ano. É a expectativa da chegada, o prazer do momento e a alegria de compartilhar com outros companheiros que ficaram cada imagem diferente, cada peixe esportivo e cada novo amigo conquistado. A pescaria tem esse fator agregador, não escolhe idade, sexo, condição social. Quem já sentou em uma beira de rio e pescou um lambari já é pescador e tem história para contar. E isso é o que eles mais gostam, contar suas histórias.
Em breve, a seção Pesca & Lazer publicará outras histórias ocorridas na expedição Xingu 2004, que teve o acompanhamento da reportagem do Jornal da Cidade. Os participantes são de cinco estados brasileiros, de Belo Horizonte (MG), Alexandre Estanislau Silva (Zeca); de Piraí do Sul (PR) Antonio el Aschkar (Toto); Curitiba (PR) Nelson Cordeiro Maciel Filho e Carlos Eduardo Ogasawara; de Diadema (SP) Ronaldo dos Santos; de Campinas, Ezequiel Theodoro da Silva; de São Bernardo (SP) Adilson Caramello, Célio Gonsales Capel e Carlos Alberto Gonsales Capel; de Ibiúna (SP) Gerson Pereira Kavamoto; de São Paulo (SP) Adalberto Francisco de Oliveira Filho (Betinho), André Nolf, Antão Shinobu Ikegami, Carlos Miranda Cacosa, Celso Couto Junior, Geraldo de Barros Monteiro Filho, João Pereira dos Santos, Lígia Aparecida Louzada Ramos, Liliam Lurico Sano, Oscar de Azevedo Nolf e Paulo de Barros Monteiro; de Erechim (RS) Lauro Rosset, Fábio Teixeira Junior e Antonio Zanco; do Rio Janeiro (RJ) Marcio Carvalho de Mattos (BigMarcio), José Ricardo da Silva Carneiro, Fausto Parreira Pinto, Angelo Americano Freire e Kdu Magalhães.
A repórter viajou a convite do Rancho Xingu (www.ranchoxingu.com.br)