10 de julho de 2026
Rural

Países têm dificuldades para fiscalizar regras

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, afirma que um dos grandes problemas para o cumprimento das normas do código comum para a comunidade cafeeira seria a fiscalização.

“Não adianta nada você estabelecer certas regras se não houver fiscalização. E para se criar uma estrutura dessas, é algo muito caro para a própria Organização Internacional do Café (OIC)”, diz. “Por isso, considero a aplicação um pouco utópica. Mas se você não brigar para chegar perto da utopia, vai fazer o quê?”, questiona.

Na opinião de Lima Verde, ainda é cedo para avaliar os impactos que o código traria em nível regional. Entretanto, ele acredita que as regras referentes ao meio ambiente seriam o assunto de maior polêmica entre os produtores. “Você tem fertilizantes e inseticidas que precisam ser passados permanentemente”, diz. “A questão ambiental vai ser polêmica”, completa.

O Estado de São Paulo produz 7 milhões de sacas por ano. A região, que concentra produtores em municípios como Garça e Piraju, é responsável por cerca de 30% dessa produção.

Cautela

Na opinião do produtor paulista João Abrão Filho, a criação de um código comum para a comunidade cafeeira deve ser discutida com cautela. “Isso é uma coisa nova para a comunidade cafeeira. Isso pode trazer benefício para o produtor? A gente acredita que sim. Agora, precisa saber os custos da implantação e como isso vai se transformar no produto final”, avalia.

Abrão Filho destaca a crise que os produtores de café vêm enfrentando nos últimos anos e que teve como reflexo a perda de renda ou o abandono da cultura.

“É bonito falar na sustentabilidade da cadeia do café verde. Mas, na prática, a gente precisa saber se isso vai trazer benefício direto para o produtor do café. O produtor, atualmente, já não suporta nenhum custo”, ressalta.

Abrão Filho defende, entretanto, que grande parte da produção de café no Estado de São Paulo já estaria ocorrendo dentro dos princípios previstos pelo código. Ele acredita que países pobres da África e Ásia teriam maior dificuldade para atender às regras do projeto. “O Brasil já está à frente desses países”, diz.