08 de julho de 2026
Auto Mercado

O bê-á-bá dos 'tijolinhos'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Ao longo dos anos, o mercado de automóveis desenvolveu uma linguagem própria para anunciar modelos nos jornais. Cada qual com seu “peixe”, os vendedores criaram uma série de siglas, abreviaturas e gírias que se renovam a cada dia nos classificados. O objetivo, muitas vezes, é adequar a mensagem ao curto espaço das páginas, exaltar as características do veículo ou mesmo instigar a curiosidade do leitor.

Exemplo disso é fornecido pelo gráfico bauruense Richard de Oliveira, cujo anúncio do Chevrolet Corsa da esposa contava com diversas abreviaturas – “dh”, “trv” e “al.” -, entre outras. “O negócio é colocar o máximo de informações no mínimo espaço possível”, resume ele, que não as considera desconhecidas da maioria dos leitores. “Eu e minha esposa, como já trabalhamos com compra e venda de veículos, não temos problema em entendê-las. E quem liga para a gente perguntando do carro também não demonstra dúvidas. É muito raro isso ocorrer”, enfatiza.

Oliveira conta ter pensado “duas vezes” apenas para definir o conteúdo do “tijolinho”. Neste momento, o gráfico quase recorreu a expressão “carro de mulher”, que acabou sendo deixada de lado em detrimento dos opcionais do veículo. “Optei por detalhar mais as qualidades para fornecer as demais particularidades do carro por telefone”, esclarece.

Outro a achar “normal” a adoção das abreviaturas é o garagista bauruense Manoel Raposo Cabral, que entende já ser de domínio público seus significados. “A população já está bem esclarecida a este respeito”, sustenta ele, que utilizou no anúncio de um Chevrolet Celta as siglas “ve”, “tr” e “al.”.

Já o bauruense Alessandro Martinelli, que atua no mesmo ramo de Cabral, escolheu a expressão “raridade” para apresentar um Palio 1997 pouco rodado. A opção, conforme o garagista, foi bem sucedida. “Vendi rapidinho, pois tratava-se mesmo de uma verdadeira raridade. Normalmente, um carro seminovo desse ano já atingiu entre 60 mil quilômetros a 70 mil quilômetros, mas aquele tinha pouco mais de 20 mil”, salienta.

Entretanto, apesar das diferentes estratégias na hora de formular os textos dos “tijolinhos”, a alma do bom anúncio é uma só: a verdade. “Tem gente que usa apenas como meio de atração dos interessados e não coloca as reais condições do automóvel. Isso só serve para manchar a imagem e afastar os compradores, que não se deixa enganar facilmente”, frisa Martinelli. “Não se pode mentir”, acrescenta Oliveira. “O anúncio tem de condizer com o estado e os recursos do veículo”, orienta Cabral.

Além disso, Martinelli alerta que anúncios simples e reduzidos demais também podem atrapalhar as tentativas de negociação. “Às vezes, a pessoa é sintética demais pensando em economizar poucos reais no anúncio e acaba não valorizando devidamente seu bem”, diz.

Segundo o garagista, tal atitude deve ser evitada, principalmente, por aqueles que optam por anunciar poucas vezes na semana. “Tem de caprichar o máximo possível, pois o dono do veículo pode ter uma preciosidade em mãos que seria facilmente comercializada caso o tijolinho fosse mais completo”, conclui Martinelli.