Nesse teatro de ventríloquos, onde somos moldados por essa sombra invisível que é o mercado consumidor, acabamos por nos acostumar a sermos invadidos por tamanha superficialidade. Notoriamente, o capitalismo transforma a sociedade em uma enorme caixa de presentes. Valorizando apenas o embrulho e desprezando o conteúdo. Observando-se todos os fatores externos que contribuem para essa desvalorização racional, o mais poderoso deles é a mídia. Praticamente fazendo uma lavagem cerebral nas pessoas.
Nos sentimos confortáveis sob a maquiagem das idéias, nos escondendo ao vestir a máscara da aparência e soterrando a essência da alma. Essa muleta que acaba por nos ser cômoda é fortalecida por inúmeros elementos de nosso cotidiano, ou até mesmo influenciando. E assim vamos montando as personagens que compõem essa sátira, quiçá esse drama, que representamos.
Onde a maior vítima somos apenas nós, que esquecemos de alimentar a sabedoria para engrandecer a nossa efêmera embalagem. Assim, indubitavelmente, deturpando os valores morais, o sentimento é absorvido pela ganância do ter, conseqüentemente nos tornando vilões frios e egoístas. A ínfima parcela dos que ainda não foram atingidos por essa chaga explicitada pode ser a salvação da sociedade. Revoltando-se contra esse espetáculo armado contra a humanidade e a favor desse capitalismo desenfreado.
Bruna Silveira Pêra, 17 anos - RG 33.894.898-3