09 de julho de 2026
Política

Juízes eleitorais têm dia atribulado

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Em dia de eleição, enquanto os cidadãos decidem o futuro de sua cidade ou do País para os próximos quatro anos, o papel dos juízes eleitorais é coordenar a votação, resolver os problemas e torcer para que nada atrapalhe o processo da democracia. É um dia atribulado e tenso, definido pelos trabalhos das últimas semanas de preparação das urnas e das pessoas que estarão por trás delas, durante a votação ou na apuração, assim como a orientação dos eleitores.

Nenhuma ocorrência pode ser uma surpresa para os juízes, que devem fazer de tudo para que a escolha dos próximos representantes da população ocorra sem qualquer impedimento. Em Bauru, os juízes João Thomaz Diaz Parra, Mauro Ruiz Daró e João Augusto Garcia são responsáveis, respectivamente, pela 23.ª, 300.ª e 387.ª Zona Eleitoral, que totalizam 446 seções eleitorais no município.

De acordo com Parra, o dia de eleição é dos mais atípicos e trabalhosos na vida de um juiz – que normalmente tem seu cotidiano muito atribulado. Os preparativos para a votação de hoje já tiveram início há algumas semanas, mas ele observa que quaisquer problemas devem ser previstos e resolvidos com segurança e rapidez.

“É um dia que causa certa apreensão em todos nós, em função de inúmeros problemas que podem ocorrer, desde falta de mesários, urnas eletrônicas com problemas a questões com boca-de-urna. O juiz tem de estar preparado para fazer decisões imediatas”, relata.

Parra aponta que a utilização de urnas eletrônicas evita problemas de identificação do voto dos eleitores, como ocorria nos votos em cédulas (leia mais no texto ao lado) e facilita muito no processamento dos números, agilizando os resultados. Por outro lado, a preparação para a eleição é mais complicada.

“As últimas semanas têm sido de muito trabalho. As urnas são computadores que precisam ser carregados com os dados de Bauru, os candidatos e os eleitores de cada seção, e a conferência precisa ser rigorosíssima”, ressalta o juiz.

Resolvendo problemas

A rotina dos juízes no dia da eleição tem início por volta de 7h. Nesse horário, os técnicos e chefes dos Cartórios das Zonas Eleitorais já iniciaram o acionamento das urnas nos locais de votação (leia texto nesta página) e os juízes começam o acompanhamento dos trabalhos e a resolução dos problemas que vão surgindo durante o dia.

“Costumamos permanecer uma parte do dia no Cartório, mas se os trabalhos estiverem correndo normalmente, visitamos as escolas para vistoriar o funcionamento das urnas e o andamento da eleição”, comenta Parra.

Nesta eleição, o juiz João Augusto Garcia, que é titular da 387.ª Zona Eleitoral, ficou responsável principalmente pela fiscalização da campanha dos candidatos. Durante todo o dia de hoje, ele deve percorrer diversos locais de votação e as ruas próximas para verificar se há candidatos promovendo divulgação boca-de-urna, filas nas seções ou qualquer outro problema.

“Eu optei por ficar itinerante, justamente para fazer a parte da prevenção dos problemas. Vou fazer o meio de campo e também ficar disponível para visitar as urnas e seções que apresentarem problemas, pois já estarei na rua acompanhado de uma viatura do Tático”, indica Garcia.

Atualmente, se um juiz eleitoral está na rua quando ocorre um problema em uma seção eleitoral, os telefones celulares são a salvação. Não há qualquer tipo de comunicação por rádio, a não ser pelo sistema da Polícia Militar (PM), que acompanha as diligências. No passado, eles auxiliavam também na comunicação entre as Zonas Eleitorais, os juízes e as seções.

A votação se encerra às 17h e apenas as seções com filas vão manter as urnas em funcionamento além desse horário. Os disquetes com os votos de cada seção são enviados para o local de apuração, que mais uma vez será o ginásio de esportes da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e, por lá, o trabalho não vai parar enquanto os novos vereadores e o novo prefeito - ou os dois candidatos que seguirão para o segundo turno - forem conhecidos. Neste ano, a previsão é de que os resultados sejam divulgados por volta de 22h.

“Como a apuração é de competência da 23.ª Zona Eleitoral, recebemos o material das seções e eu o levarei pessoalmente até a FOB. Vamos acompanhar toda a apuração até o final, para conhecer os candidatos eleitos pela população”, conclui Garcia.

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Voto manuscrito

O juiz da 23.ª Zona Eleitoral, João Thomaz Diaz Parra, relembra da dificuldade encontrada pelas pessoas que trabalhavam na apuração dos votos, quando ainda eram utilizadas as cédulas de papel. “Como o voto era manuscrito, tínhamos muita dificuldade em interpretar o que a pessoa havia escrito na cédula”, comenta.

Segundo Parra, a legislação estabelecia que o voto deveria ser aproveitado ao máximo, então os cidadãos convocados para a apuração tinham, literalmente, de decifrar os “garranchos” de alguns eleitores. “Muitos candidatos acompanhavam a apuração e a interpretação dos votos gerava descontentamento neles. Muitas vezes, tive de confrontar um candidato, que não concordava com nossa decisão sobre uma cédula”, relata.