A atuação dos vereadores na sua importante e sublime missão de representar e defender os interesses do povo permite, nesta altura do ano, algumas reflexões. Na semana passada, foi noticiado pela imprensa (JC de 22/9/04, matéria na página 3) o reconhecimento da Justiça Federal, acolhendo e dando ganho de causa à ação popular que apontou erros de cálculo na dívida federalizada da Prefeitura de Bauru, de autoria do vereador José Clemente Rezende, determinando o depósito em juízo de R$ 17,6 milhões. Isto é bom, pois mostra o servidor político (o vereador) consciente e cumpridor de sua verdadeira função de fiscalizar o Executivo. Mais uma vez este poder (Executivo) revela sua incompetência na defesa da população, não conseguindo evitar um erro de cálculo dessa dimensão (R$ 17,6 milhões). Em junho, o vereador Antonio Garms apresentou uma proposta à Comissão de Economia e Finanças, talvez exageradamente revolucionária para os demais membros da Câmara: redução dos atuais subsídios em 43% em média, para os vereadores, prefeito, vice-prefeitos e secretários a partir da próxima legislatura. Claro, a idéia, embora muito boa no pensamento da população, não prosperou, pois feria frontalmente interesses remuneratórios. A comissão de Economia e Finanças constituída na Câmara (formada pelos vereadores Milton Dota Jr., João Parreira de Miranda, José Eduardo D’Ávila, José Humberto Santana e Faria Neto) teve dois meses para debruçar-se sobre o tema e apresentar os novos valores de subsídios para os cargos de prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores (JC de 28/9/04, página 3), o que deveria ocorrer antes das eleições de 3/10/04, para não dar qualquer conotação de legislar em causa própria. Lamentavelmente, o assunto só terá solução após as eleições. A procrastinação é ruim e não interessa ao povo.
Engenheiro agrônomo Christopher Davies - RG. 8.739-141