Apesar da turbulência político-administrativa enfrentada nos últimos dois anos, a composição do Legislativo vai contar com apenas quatro estreantes entre os 15 vereadores que vão ser diplomados até janeiro de 2005. Do total de eleitos para a próxima legislatura, nove serão mantidos na função, sendo quatro deles citados em denúncias de possíveis irregularidades com despesas internas.
Isso significa que apenas 26,6% dos vereadores serão realmente novatos, sendo estes Marcelo Borges (PSDB), Primo Mangialardo (PSB), Benedito Silva (PSDB) - Benê enfermeiro - e Arildo de Lima Jr. (PP).
A tese de renovação, bastante difundida no período pré-eleitoral, acabou não vingando nas urnas. A manutenção do perfil de experiência no exercício do mandato parlamentar é ainda maior se for considerado que dois eleitos retornam à Câmara Municipal, sendo os ex-vereadores Futaro Sato (PMDB) e Salvador Afonso (PDT).
A média histórica de renovação no Legislativo bauruense, que ficou próximo de 50% nas últimas eleições, não se repetiu neste ano. Entre os próprios parlamentares, a sensação na véspera da eleição era de que os estreantes seriam em pequeno número, em parte em função da redução das vagas das atuais 21 para 15 cadeiras.
Outro dado que derruba a tese de renovação é que, entre os cinco mais votados, apenas um é novato, sendo Marcelo Borges (PSDB). Contudo, Borges é conhecido no meio político e conta com participação ativa na vida partidária há muitos anos, o que não ofusca a performance de 3.551 votos depois de ter evitado participar da disputa por seguidas eleições.
Rodrigo Agostinho (PMDB) despertou a força da candidatura jovem com seus 5.751 votos, desbancando nomes fortes da disputa com uma campanha eficiente entre o público de sua faixa etária, com inserção sobretudo entre as pessoas de 16 e 25 anos. A performance ajudou ainda a reeleição de Majô Jandreice (PC do B), que continua sendo a única representante feminina, embora mais da metade dos votantes sejam mulheres.
A Câmara de experientes conta com os três vereadores que mais exerceram o ofício de oposição ao atual governo. Clemente Rezende (PDT), Toninho Garmes e João Parreira, os dois últimos do PSDB, confirmaram suas vagas. José Carlos Batata (PT), o mais votado na última eleição, repete boa performance e mantém a única cadeira petista no plenário.
Paulo Eduardo Martins (PFL) fica por ter sido o primeiro da aliança, cuja disputa interna ainda contava com nomes como Lelo Rodrigues e Catarina Carvalho, pefelistas que deixam a função no final do ano.
Paulo Madureira (PP) também conseguiu a reeleição com a manutenção de seu reduto eleitoral a partir do Parque Vista Alegre. O mesmo não aconteceu com seus companheiros de bancada José Eduardo Ávila e Leandro Martins, que perderam espaço para o sargento da ativa do Corpo de Bombeiros Lima Jr. (PP), que já tinha estado entre os mais votados na eleição de 2000.
O PSDB tem a maior bancada individual com Garmes, Parreira, Borges e o enfermeiro Benedito da Silva (Benê). O prefeito Nilson Costa (sem partido) sofre as maiores perdas políticas nesta disputa. Além de ter visto seu candidato ao cargo majoritário, Antonio Sérgio Marsola (PPS) ocupando o penúltimo lugar, seu antigo partido durante quase todo o mandato, o PPS, ainda não conseguiu votos suficientes para ocupar uma cadeira sequer, ficando abaixo do coeficiente eleitoral.
Pior para Paulo Agustinho (PPS) que, a exemplo da eleição anterior, fica de fora mesmo tendo obtido 2.333 votos. Situação parecida viveu o petista Roque Ferreira que, com seus 2.458 votos consolida seu eleitorado, mas não o suficiente para ampliar a bancada de seu partido. Para comparar, Primo Mangialardo, por sua vez, conseguiu uma vaga entre as 15 disponíveis com 1.495 votos. A média de votos dos demais candidatos de sua aliança foi melhor, o que garantiu sua eleição.