Contou-me Gabriel Ruiz Pelegrina que, numa eleição na República Velha, um coronel situacionista procurou seu pai e disse que ele deveria comparecer às urnas, votando no candidato oficial.
Seu pai era comerciante. Estranhou o pedido, informando ao interlocutor que ele era espanhol e, portanto, não poderia votar nas eleições do Município.
O coronel, sem nenhum pudor, disse-lhe que teria de votar e que este lhe arranjaria um título de eleitor de alguém falecido.
- E se, por uma questão de consciência, eu não for votar? Perguntou o pai do Gabriel.
- Ah, então o senhor terá de pagar o imposto de seu negócio comercial! Respondeu o coronel.
Irineu Azevedo Bastos