11 de julho de 2026
Política

Nos anos 60, discriminação elegeu o primeiro vereador

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-vereador Nadir de Campos foi o primeiro negro na história política de Bauru a assumir uma cadeira na Câmara Municipal. O ano era 1960. Na condição de suplente, ele ocupou a vaga de Osvaldo Santos Bahia. Candidato à reeleição, Campos foi barrado na porta do antigo Esporte Clube Paulista, que recebia convidados para comemorar o campeonato de um time varzeano.

“A Igreja Católica, junto com a sociedade de um modo geral, não aceitou esse comportamento. De certa forma, essa situação me favoreceu. Fui eleito de forma direta à Câmara”, relata.

Ele diz que foi bem recebido pelos demais colegas do Poder Legislativo e nunca sofreu qualquer tipo de discriminação durante sua atuação na Câmara. Campos trocou Bauru por Marília, cidade onde se elegeu por mais quatro mandatos parlamentares, um dos quais na condição de presidente do Legislativo.

Na opinião dele, o negro ainda precisa avançar para conquistar seu espaço na política. “Tudo isso é fruto de um passado do qual éramos proibidos de tudo. Era discriminação pura. Não podíamos nos reunir para tratarmos dos assuntos de interesse da raça. Até hoje isso prevalece”, acredita.

Líderes mundiais

Na mesma época em que Nadir de Campos foi eleito vereador em Bauru, os Estados Unidos viviam a efervescência da segregação racial. Manifestações e marchas invadiam as principais avenidas do país, lideradas por um líder pacifista e pastor evangélico que atendia pelo nome de Martin Luther King.

No seu discurso mais famoso, ele revela: “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. Luther King foi assassinado em 1968, em Memphis, por um branco.

Além dele, um outro negro entrou para a história na defesa dos direitos de seu povo. O sul-africano Nelson Mandela foi preso em 1962 e condenado a prisão pérpetua por incentivar levantes contra o que ficou mundialmente conhecido como apartheid.

Depois de 28 anos, o regime de Pretória sucumbiu aos apelos do mundo e libertou Mandela, que liderou o fim da segregação em 1990. Ele foi eleito o primeiro presidente negro da história política da África do Sul.