O 1º Congresso Internacional de História Urbana vai ser oficialmente aberto hoje, às 10h, no Seminário Santo Antônio de Agudos. O evento, que contará com a participação de cerca de 300 pessoas entre conferencistas e debatedores, é patrocinado pela Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Escola Avançada de Veneza, com apoio da Prefeitura de Agudos e Jornal da Cidade.
O congresso, que se estenderá até domingo, homenageará o arquiteto austríaco Camillo Sitte, cujo centenário de morte foi celebrado em novembro passado, e também a publicação da revista de urbanismo Der Stadtebau, que ocorreu em 1904.
Intitulado “Camillo Sitte e a circulação das idéias de estética urbana – Europa e América: 1880-1930”, o evento é considerado pelos próprios organizadores uma continuação de três outros encontros: o primeiro realizado em 1990, em Veneza, depois um outro em novembro do ano passado, em Viena, e o terceiro em janeiro deste ano novamente em Veneza. Todos voltados à discussão da obra de Sitte.
O congresso terá a participação de arquitetos e professores da área oriundos de vários países, como Áustria, França, Itália, Grécia, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, dentre outros. Eles vão abordar, durante as sessões de trabalho, estudos e planejamentos urbanísticos, além de discutir a influência da obra de Camillo Sitte nos continentes europeu e americano, inclusive no Brasil.
Dentre as convidadas para o evento está a arquiteta Christiane Collins, de Columbia, Estados Unidos. Ela vai falar sobre a exibição do planejamento da cidade de Berlim realizada em 1910.
Estão confirmados para a cerimônia de abertura de hoje a reitora da USC, irmã Jacinta Turolo Garcia, o prefeito de Agudos, Carlos Octaviani, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp de Bauru, professor José Carlos Plácido da Silva, e representantes do governo do Estado.
Passeio no tempo
No domingo, último dia do evento, a organização vai promover uma viagem a cidades da região para mostrar aos participantes do congresso a arquitetura que imperou nos municípios no século 19 e 20.
Segundo a professora Kelly Magalhães Faria, do curso de arquitetura da Unesp/Bauru, a viagem possibilitará aos arquitetos conhecer o resultado do trabalho de pesquisadores que atuam no Oeste Paulista.
“Conseguimos reunir pessoas que pesquisam cidades da região. Cada um desses municípios - Bauru, Jaú, São Manuel, Botucatu, Agudos e Avaí – se reúne em torno de uma idéia de modernização, que caracterizou o final do século 19 e, muito precisamente, o início do século 20”, explica.
O avanço da ferrovia foi a principal motivadora do desenvolvimento dessas cidades. “Essa idéia de modernidade é associada à inserção desta região no quadro dos avanços do transporte ferroviário”, conta Kelly. Bauru será o ponto de partido no cumprimento do roteiro.
“Em uma das viagens durante a chamada Mostra Regional de História Urbana, Bauru sediará uma das excursões. O roteiro mostrará a arquitetura do Centro da cidade a partir dos edifícios que são representativos para o ecletismo”, diz.
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Sobre Camillo Sitte
Camillo Sitte (1843-1903), nascido em Viena, é um filho das artes. O pai Franz era um arquiteto famoso, que se ocupou sobretudo de restauros e de arquitetura religiosa, projetando igrejas em Viena, em Voslaw, e em Erland. Camillo estudou no Politécnico de Viena, onde aprendeu a composição arquitetônica, sob tutela de Heinrich von Ferstel, e tomou gosto também pela pintura.
Foi sobretudo um cultor das artes aplicadas e nutriu uma forte aversão pelo industrialismo, que sufocava as velhas corporações de artes e ofícios. Rudolf von Eitelberger, além do pai, o fez se interessar pela arte antiga.
Com 32 anos, foi nomeado diretor de uma escola técnica profissionalizante em Salisburgo, deixando-a em 1883, para vir dirigir uma outra em Viena. Viajou muito pela Europa central, Ásia menor, Egito, mas principalmente pela Grécia e Itália, nações decisivas para a sua formação artística.
Como o pai, ele projetou muitas igrejas (a dos Mechitaristi em Viena, a do Giubileo em Privoz e a igreja paroquial de Temesvar), mas se dedicou também à atividade profissional do urbanismo, elaborando os planos de expansão de Olmutz, Teschen, Lubiana, além dos planos gerais de Mahrisch-Ostrau e Marienberg.
Grande admirador de Richard Wagner, foi amigo do cenógrafo Josef Hoffmann e do projetista de teatros wagnerianos Gottfried Semper. O seu Der Städtebau nach seinen Künslerische Grundsätzen, publicado pela primeira vez em Viena em 1889, é um livro simples e claro na sua estrutura teórica, ilustrado com uma série de casos e de esquemas explicativos, atingindo um sucesso imediato e clamoroso entre um público de especialistas ou semi-especialistas de planificação urbana.