10 de julho de 2026
Polícia

DIG desvenda furto de jóias em série

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

No papel de vítima, um rapaz aciona a polícia para denunciar uma tentativa de assalto. Na delegacia, a Polícia Civil, que já estava na mira do rapaz, o interroga. Ele acaba confessando que é o autor de furtos em série a residências de Bauru, especializado em jóias, pedras preciosas, dólares e dinheiro.

Foi assim que o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) chegou a Thiego Tadeu dos Santos, 18 anos, morador da Bela Vista. Santos confessou que desde o Natal do ano passado até o último dia 19 furtou 14 residências, a maioria localizada na zona sul da cidade.

Ele entrava nas casas mediante arrombamento de portas ou janelas e procurava jóias, dólares e dinheiro. Em um dos furtos mais “rentáveis”, ele levou cerca de R$ 100 mil em jóias e dólares, segundo J.J. Cardia. Em depoimento, Santos disse que a maioria das jóias furtadas era comprada a preços abaixos do valor de mercado por José Carlos Medeiros e Eliton Rogério Gomes, que revendem o produto em Bauru.

De uma casa do Jardim Estoril, Santos confessou que furtou, em agosto deste ano, uma grande quantidade de jóias e US$ 4 mil. As jóias, segundo ele, foram vendidas a Gomes por R$ 13,5 mil. Ele disse à polícia que os dois compradores sabiam que as jóias eram produto de furto.

“Além disso, o rapaz contou que escolhia as casas para furtar com a indicação de Medeiros, que sabia onde havia dólares e jóias”, frisa Cardia. Diante do depoimento, o delegado pediu autorização judicial para fazer busca na lojas e casas de Gomes e Medeiros.

Nos quatro locais, os policiais da DIG apreenderam grande quantidade de jóias e objetos e materiais usados na fundição do metal. “Apuramos que as jóias furtadas eram fundidas e mandadas para São Paulo”, conta Cardia. Durante a investigação, o delegado também descobriu que a futura sogra de Gomes revendia jóias.

Em busca a seu apartamento, os policiais apreenderam uma grande quantidade de jóias. Cardia estima que nos cinco locais foram apreendidos cerca de R$ 80 mil em jóias. “É só uma parte porque muitas jóias já tinham sido fundidas e outras, vendidas”, frisa.

Santos contou ao delegado que usou o dinheiro de jóias e dos dólares em festas e viagens e para comprar uma moto, posteriormente dada como parte de pagamento de um Gol. No carro, ele instalou equipamento de som avaliado em R$ 16 mil.

Como não foi pego em flagrante e furto não é crime hediondo, Santos responderá inquérito em liberdade. “Ele responde inquérito por 14 furtos qualificados. A pena para cada crime é de dois a oito anos de reclusão”, diz Cardia. Já os três comerciantes de jóias responderão inquérito em liberdade por receptação, cuja pena é de um a quatro anos de prisão.