10 de julho de 2026
Política

Salário de secretários pode ir a R$ 6 mil

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Os secretários municipais que serão nomeados pelo novo prefeito que assumirá em janeiro do próximo ano poderão ter salário mensal de R$ 6 mil contra os atuais R$ 3.900,00. A proposta foi definida ontem pela Comissão de Economia e Finanças da Câmara Municipal, que também decidiu manter os mesmos valores salariais do prefeito (R$ 11 mil), do vice (R$ 3.900,00) e dos vereadores (R$ 3.600,00 mais os jetons das sessões extraordinárias).

O projeto de lei já está sendo elaborado e deverá dar entrada na sessão legislativa de quarta-feira. A reunião deve ser transferida em decorrência do feriadão de 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. A proposta será avaliada pelas comissões temáticas da Casa e pode receber emendas modificativas e supressivas.

A definição dos salários dos agentes políticos de Bauru não é discussão nova. O assunto começou a surgir na Câmara em junho deste ano, antes do recesso parlamentar. Um grupo de vereadores pressionou para que a questão fosse definida antes das eleições municipais. Um outro articulou o contrário, ou seja, que a discussão fosse empurrada para depois de 3 de outubro. Venceu.

Dos cinco integrantes da comissão responsável pela proposta, quatro não foram reeleitos para cumprir mais um mandato: Faria Neto (PDT), José Humberto Santana (PTB), José Eduardo Ávila (PP) e Milton Dota Jr. (PTB). João Parreira (PSDB) será o único a retornar ao Poder Legislativo em 2005.

Iniciativa privada

Uma das justificativas da comissão para propor o reajuste dos salários dos futuros secretários municipais é a dificuldade de se recrutar profissionais que queiram se dedicar integralmente ao cargo.

Com um vencimento de R$ 3.900,00 bruto, uma parte dos atuais secretários reclama do baixo valor e defende o aumento. “Pela atividade, pela responsabilidade que exercemos, acho que mereceríamos ser um pouco melhor remunerados”, diz José Ângelo Padovan, titular da Secretaria Municipal de Obras.

Ele avalia que há profissionais de qualidade na iniciativa privada que têm interesse em assumir o comando de secretarias da prefeitura, mas desistem ao saber do valor do salário.

Padovan explica que, além do vencimento ser baixo, tem gastos pessoais no uso de seu carro particular nos deslocamentos de interesse da administração. “Também uso meu celular em serviço. É preciso lembrar, ainda, a responsabilidade de comandar 300, 400 servidores, que representam uma empresa de médio porte na iniciativa privada”, observa.

A mesma opinião tem o secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak. “O que recebemos hoje como salário é uma brincadeira. A prefeitura, infelizmente, não oferece muita estrutura para o trabalho do secretário. Ando com meu carro e uso meu telefone celular”, afirma.

Para ele, a proposta que será encaminhada deverá satisfazer os novos secretários que vão assumir em janeiro próximo. “Isso vai possibilitar que os profissionais deixem suas atividades na iniciativa (privada) para se dedicar exclusivamente às secretarias”, reforça.

Seiko Tokuhara, da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, faz coro com Padovan e Losnak. “Eu aceitei assumir esse cargo, mas tenho outra atividade paralela. Sou representante comercial”, revela.

Ele garante que, se tivesse que trabalhar exclusivamente na administração municipal pelo atual salário de R$ 3.900,00, não aceitaria o convite. “O valor que está sendo proposto é razoável. Com certeza, o novo prefeito terá mais facilidade de recrutar profissionais no mercado privado”, finaliza.