Quando, no final da tarde, o sol vai diminuindo a intensidade de sua luz para dar lugar à lua que vem chegando com sua claridade, um espetáculo maravilhoso e divino que se repete indefinidamente e que com a necessária sensibilidade podemos sentir e vivenciar muito embora sejamos tomados de uma certa melancolia por mais um dia de nossa vida que passou. Ao mesmo tempo, sentimos segurança com a certeza de que continuará iluminando do outro lado da terra e de que voltará na manhã seguinte. Esta certeza de sua volta depois da escuridão da noite concede-nos muita paz para se viver os novos dias... Imagine se tivéssemos incerteza quanto à sua volta! Assim foi a Irmã Eleonora de Souza, uma luz indefinível, se do sol ou da lua, que deixará de nos iluminar pelo tempo que aqui permanecermos, mas que, além de continuar nos inspirando, estará iluminando e nos esperando do outro lado, na eternidade. Paciente, alegre, amava suas irmãs religiosas, seus presos das cadeias que a esperavam com ansiedade aos domingos para chorar seus infortúnios em seu regaço e receber conforto e conselhos. Seus ex-alunos que se tornaram fiéis e agradecidos amigos pelos exemplos e força recebidos no aconselhamento dos mais singelos aos mais complexos problemas nos estudos, profissionais e familiares. De ex-aluno do curso de pedagogia na ainda querida Fafil, tornei-me um fiel admirador e amigo. Admirei e muito aprendi com o seu otimismo, sua perene alegria mesmo nos mais críticos momentos de saúde e na perda dos seus entes queridos, com seu imensurável amor por tudo e por todos. Quem a conheceu e que com ela conviveu, mesmo por fugidios momentos, pode considerar-se um privilegiado. Seus ex-alunos que se tornaram seus amigos e que se encontram nos mais variados e distantes pontos do globo estão chorando sua partida. Foi uma lição para a nossa vida, pois se alegrava principalmente com as pequeninas coisas, enxergava o que era invisível para nós. Com sua idade já avançada em anos, tinha os sentimentos, a cabeça e a alegria dos jovens. Se seu combalido corpo permitisse, certamente saltitaria beijando as flores, seus ex-alunos e amigos, suas irmãs de todos os lugares por onde passou e plantou raízes vocacionais e amizades. Esta foi a Irmã Eleonora de Souza, cujo corpo muito embora repouse em terras curitibanas, continuará viva em nossos corações e memórias como o sol e a lua que retornarão no sempre e eterno amanhã. Seu ex-aluno e eterno amigo!
Professor Joaquim Eliseo Mendes