08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Explicação de vida


| Tempo de leitura: 3 min

Em relação à carta inserida na Tribuna do Leitor de domingo (19/9) intitulada “Tirando dos famintos” e assinada por mim, confesso que fiquei surpreso com a repercussão de esmagadora aprovação dos leitores das mais diversas classes sociais. Mas como em todo ramo de atividade do cotidiano, não houve unanimidade. Houve um leitor que me questionou, afirmando que eu sou contra os evangélicos. A esses, segue a explicação.

Não sou evangélico, porém não posso deixar de reconhecer que setores evangélicos têm contribuído, e muito, no que concerne à recuperação de compulsividades diversas, tais como jogadores, viciados em álcool, drogas, etc. Só acho que, às vezes, por falta de preparo de seus dirigentes, esses recuperados são usados muito precocemente como exemplo. Quando recaem, colocam em risco a credibilidade de suas respectivas igrejas.

Não sou espírita. Sou cético em relação à sua pregação, mas reconheço que o trabalho humanitário e filantrópico desse segmento é extraordinário. São pessoas que visam o bem sem pensar em retorno. Quase no anonimato. Não sou adepto também das religiões orientais e suas esquisitas maneiras de se expressar, mas elas devem ser significativas para eles que são maioria absoluta entre os humanos do planeta. Conheço pouco do candomblé, que é de origem africana e teve ápice nas décadas de 60, 70, e hoje está em baixa, segundo seus seguidores, pelo enorme contingente de pessoas que usaram essas seitas como meio de vida. Caiu em descrédito. Existem muitas pessoas que acham que a evasão de umbandistas fez com que crescesse assustadoramente a freqüência em determinadas igrejas evangélicas, que começaram a admitir a expulsão de demônios em rituais muito semelhantes aos da umbanda.

Enfim, sou católico, não praticante. Mas tenho profundo respeito a essa que é uma das religiões mais velhas do mundo. Apesar das suas mazelas, do seu conservadorismo, temos que creditar à Igreja Católica muitas benfeitorias, quer no campo social, espiritual e benemérito, embora, às vezes, um tanto quanto radical.

Enfim, eu definiria meu conceito de que sou crédulo incontestável da existência de Deus. Para se acreditar nele, basta olhar o ciclo da natureza. Eu o defino em uma só frase, para me fazer entender: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” Procuro seguir seu caminho, embora me considere profano como todo ser humano. Sei que nele está a verdade. E sei que é Dele a vida, por isso não acredito em diabo. Se Deus é dono da vida ninguém mais do que Ele tem poderes para nos orientar, nos confortar e, às vezes, nos repreender. Às vezes, coloca-nos à prova. Enfim, somos filhos Dele e, pra cada um de nós, com certeza, ele tem uma missão.

A razão da minha carta na Tribuna foi uma só. A de alertar a população contra quem está se locupletando em nome de Deus. Aqueles que cobram de empresários de R$ 1.000,00 a R$ 10.000,00 (conforme o tamanho e o rombo de suas empresas) para que bons fluidos reconduzam seus negócios. Aqueles que, durante sua pregação, pedem R$ 500,00. Faz-se um silêncio e, às vezes, aparece um. Depois vão baixando o preço até ver entre os irmãos quem vai fazer o sacrifício de doar o dinheiro do passe e voltar a pé para casa independente das condições climáticas do dia. E por aí afora.

Devo, pra finalizar, esclarecer que este relato eu não ouvi dizer. Eu fui ver. Seguindo o caminho da frase que eu escolhi como escolta da minha vida, achei que minha carta pode ser o começo do caminho contra esses que se julgam soberanos. Enfim, tenho a certeza que prevalecerá sempre a verdade. Com certeza, dentro da minha consciência, o meu relato é a minha verdade.

Vitor Rodrigues Ruiz - RG 11.225.892