09 de julho de 2026
Regional

Juiz anula votos de prefeito eleito

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - A Justiça Eleitoral de Lins (100 quilômetros a Noroeste de Bauru) anulou, na última terça-feira, os votos do prefeito eleito Waldemar Casadei, da coligação “Ética, Honestidade e Competência” (PMDB/PMN). A decisão do juiz Lincoln Augusto Casconi foi tomada porque o pedido de registro da candidatura do vice-prefeito não foi oficializado pela coligação na Justiça Eleitoral.

Com a decisão, a segunda colocada nas eleições, Fátima Pires (PSDB), deverá assumir o cargo a partir de 1.º de janeiro. A defesa de Casadei já entrou com recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para tentar reverter a anulação dos votos.

Até o último sábado, na véspera das eleições, o candidato à vice-prefeito da coligação PMDB/PMN era o engenheiro Francisco Yutaka Kurimori. O engenheiro teve o registro de candidatura cassado pela Justiça de Lins no final de agosto por ter participado da inauguração de obras públicas. A legislação eleitoral proíbe esse procedimento durante a campanha.

O candidato recorreu no TRE e o caso ficou sob apreciação judicial (sub judice). No último sábado, segundo a chefe de cartório eleitoral Terezinha Domingues Cavina, o recurso interposto pelo engenheiro foi transitado em julgado e o TRE manteve a cassação de seu registro.

Diante do resultado, Kurimori renunciou à candidatura e, no mesmo dia, Casadei apresentou Keiko Kurimori, esposa do engenheiro, como candidata a vice-prefeita. Entretanto, segundo a chefe de cartório, o requerimento de registro da candidata não foi formalizado legalmente na Justiça Eleitoral pelo representante do partido. Apenas a renúncia de Francisco Kurimori teria sido protocolada.

“A chapa ganhou as eleições, mas o juiz, mediante esse fato, tornou nulo os votos atribuídos a ele (Casadei) e deu como vencedor das eleições de 2004 de Lins o segundo colocado”, explica.

Casadei teve 17.694 votos (47%) e a segunda colocada 16.311 (43%).

Surpreendida pela reviravolta no resultado das eleições, Fátima Pires comemorou a decisão da Justiça. “Esse ato não partiu nem de mim nem da minha coligação, mas sim da própria Justiça Eleitoral, que detectou a irregularidade. Devo dizer que ao mesmo tempo em que fiquei surpresa, fiquei feliz”, destaca a peesedebista, esperando que a decisão se confirme nas instâncias superiores.

Convicto

Casadei afirma ter convicção de que vai conseguir reverter a anulação dos votos. Ontem, os advogados do político entraram com um mandado de segurança no TRE.

O peemedebista assegura que, no sábado, o representante legal do partido compareceu no cartório eleitoral e teria cumprido todas as instruções para o registro da nova candidata a vice. “Toda a documentação exigida foi entregue e protocolada (na Justiça Eleitoral) no sábado”, diz o político, que acredita ter ocorrido um erro de comunicação no momento em que foi apresentado o pedido do novo registro.

Casadei afirma estar inconformado pelo fato de seus votos terem sido anulados por uma questão burocrática. “É um problema de formalidade”, diz. “Agora, a partir daí, anular 18 mil votos, é algo inaceitável”, diz o político, que já foi prefeito de Lins na década de 80.

Anteontem, um ato público foi realizado na praça central de Lins, em protesto contra a anulação dos votos. Ontem à noite, estava prevista uma nova manifestação no mesmo local.

Consultada pela reportagem, a moradora de Lins Roseli Aparecida Alves mostrou-se contrária à decisão judicial. “Eu quero que o meu voto seja válido. Eles (Justiça Eleitoral) teriam que ter visto isso antes e cancelado a candidatura deles (da coligação PMDB/PMN) no sábado”, diz. A mesma opinião é compartilhada pelo corretor de imóveis João Luis Montalvão.

“Eu fiquei indignado porque se há irregularidade, e é uma irregularidade anterior ao pleito, ela poderia ter sido verificada antes. Eu acho particularmente um absurdo anular o voto de 18 mil linenses”, diz. O juiz Lincoln Augusto Casconi não quis conceder entrevista sobre o assunto.