08 de julho de 2026
Politicando

O recomeço


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Não tinha jeito. A derrota eleitoral fizera dele alvo potencial da retaliação dos adversários vitoriosos. Tinha que sumir por uns tempos.

Deixou, recomendada, a jovem mulher na casa da sogra e foi para São Paulo já com o emprego mais ou menos arranjado por um amigo solidário. Numa fábrica de roupas no Bom Retiro.

O salário não era muito, mas tinha passe de ônibus, alojamento, e dois marmitex por dia. Afinal, iria recomeçar a vida e para um começo estava muito bom. Não podia perder aquele emprego de jeito nenhum!

Chegou à fábrica de roupas na hora marcada lembrando-se do velho companheiro Mão, ciente de que toda caminhada começa com o primeiro passo. Naquela manhã iria dá-lo.

Atendido pelo gerente de produção, foi para a frente da máquina semi-automática para fabricação de bermudas de procedência coreana e recebeu as explicações. Posicionado de frente para a máquina em lugar demarcado no solo deveria apertar o botão de acionamento com a testa. Com a mão direita giraria a manivela direita no sentido horário e com o pé direito acionaria o pedal direito. A mão esquerda giraria a manivela esquerda no sentido anti-horário e o pé esquerdo, logo depois de acionado o pedal direito, acionaria o pedal esquerdo. Ao ouvir um ligeiro silvo e alternativamente acionaria o botão esquerdo e o direito com o cotovelo. Tudo lógico e muito sincronizado.

“Tudo entendido?”, indagou o gerente.

“Perfeitamente, e se o senhor me permitir eu ainda gostaria de encaixar um espanador entre as nádegas - e farei isso porque vou vestir a camisa da empresa - aproveitando o tempo para ir espanando as caixas de bermudas já prontas”...

Contada por José Fernando da Silva Lopes