09 de julho de 2026
Auto Mercado

Valor da recarga do ar-condicionado 'dispara' em Bauru

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Há cerca de um mês e meio, quem precisa efetuar a recarga de gás do ar-condicionado automotivo em Bauru – e em todo o País - vem tomando um susto. Isso porque o valor do serviço disparou no mercado e, em alguns casos, chegou a aumentar mais de 100%. Os preços foram elevados devido à escassez do produto, também conhecido como fluido refrigerante R134A, provocada pelo excesso de demanda internacional e por problemas na linha de produção em dois dos quatro fabricantes mundiais do gás.

O proprietário de uma distribuidora do produto na cidade, o empresário Lair Francisco, confirma que já vem enfrentando o desabastecimento há dois meses e que os preços “explodiram”. “É a pior crise que já vi no setor. Há cerca de um mês, vendia a garrafa de gás por cerca de R$ 360,00 e, recentemente, precisei adquirir cinco garrafas por R$ 780,00 cada. Recebi um comunicado do fabricante explicando os motivos e, por isso, avisei meus clientes sugerindo que estocassem o produto. E, quem não fez isso, certamente está com problemas”, afirma Francisco.

Com o aumento do preço do R134A, os estabelecimentos especializados na manutenção do ar-condicionado veicular foram obrigados a repassar os custos aos consumidores. O dono de uma empresa do ramo, que pediu para não ter o nome divulgado, revela ter elevado o preço da recarga dos anteriores R$ 45,00 para valores entre R$ 80,00 e R$ 90,00. “Em agosto, comprava a garrafa por R$ 400,00. Já este mês, precisei adquirir uma na sexta-feira passada e tive de desembolsar R$ 820,00. Assim, se não majorar a recarga fica inviável e muita gente vai quebrar”, acredita.

E, para desespero dos comerciantes e consumidores, o abastecimento só deverá normalizar-se durante o primeiro semestre de 2005. “A informação que tenho do fabricante é que a situação voltará à normalidade no início do ano que vem”, conta o empresário Francisco.

Já Flávio de Vasconcelos, representante da Câmara Setorial de Ar-Condicionado do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa), acredita na solução a um prazo mais longo. “Os primeiros contêineres de um dos fornecedores só chegarão no final de novembro ao País e, por isso, creio que o abastecimento será regularizado apenas no final de abril de 2005, até porque nossa demanda aumentará muito devido ao início do verão”, frisa.

Vasconcelos explica que a falta do gás no mercado não é exclusividade nacional. “Ela é mundial, pois dois fabricantes, dos quatro existentes no planeta, tiveram problemas na linha de produção e foram forçados a interrompê-la no meio do ano. Além disso, como o verão europeu foi intenso, a demanda pelo gás no continente foi muito grande”, esclarece.

Apesar de ressaltar que a falta do fluido refrigerante R134A é uma realidade no País, Flávio de Vasconcelos, do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo (Sindirepa), enfatiza que não há motivos para pânico e correria aos estabelecimentos especia-lizados.

“O mercado tem um conceito incorreto. Não há necessidade de se trocar o gás periodicamente. Isso só é preciso em caso de vazamento. Desta forma, se a pessoa está com o sistema funcionando corretamente no veículo, não há porque se preocupar com o desabas-tecimento do produto”, conclui Vasconcelos.

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Fique de olho!

Em hipótese alguma deve-se utilizar outro gás para substituir o R134A, em uso no mercado desde 1994 para substituir o R12, que era agressivo à camada de ozônio.

O R12, além de ecologicamente incorreto, não é compatível com os sistemas que adotam o R134. Utilizá-lo pode gerar uma série de danos ao ar-condicionado e manutenções onerosas, que variam de R$ 700,00 até R$ 5 mil

Na hora de efetuar a recarga, certifique-se da procedência e da qualidade do produto que será utilizado no sistema. Peça ao estabelecimento a garantia de que o gás que será instalado será o R134A e procure ver o cilindro que identifica o gás

Fique atento à quantidade de gás adicionada, normalmente especificada no manual do proprietário. O primeiro sintoma que isso não foi feito é que o ar-condicionado não funcionará corretamente, deixando de refrigerar com eficiência e ocasionando desgaste geral dos componentes.