Boa parte dos eleitores de
Bauru deve ter percebido que
muitos candidatos a vereador
nas últimas eleições carregaram
bandeiras corporativas
como forma de se aproximar
de seu público-alvo e buscar
identificação com a comunidade.
Eles fazem questão de
deixar bem claro que são pastores,
professores ou que
atuam na área de saúde, por
exemplo.
“É uma situação muito semelhante
à dos líderes de bairros.
São formas corporativas de
organização: os evangélicos
elegem seu representante, o sindicato
elege seu representante,
os professores elegem seus representante”,
explica Celso
Zonta, especialista em desenvolvimento
de comunidades.
Na opinião dele, o corporativismo
nas eleições não é saudável.
“O que um representante
dos cobradores de ônibus
vai resolver para a categoria
tendo um assento na Câmara
Municipal? Nada. Se ele assume
o cargo, ele vai ser obrigado
a legislar e fazer coisas para
o conjunto da cidade”, diz.
“Por outro lado, nada impede
que o conjunto de cobradores
de ônibus se organizem
e passem a pensar sobre os
problemas da cidade. Só que
geralmente não é assim e eles
carregam bandeiras corporativas”,
acrescenta Zonta.
Para o especialista, o ideal
seria eleger para as cadeiras
da Câmara Municipal representantes
que têm visões mais
gerais da cidade.
O historiador político Maximiliano
Martin Vicente
acredita que se candidatar como
pastor, professor, enfermeiro,
bombeiro, entre outras,
é uma forma de mostrar
envolvimento público.
“Geralmente eles pegam
as profissões de cunho social
e que têm mais reconhecimento
na sociedade - professor,
enfermeiro, bombeiro. São
profissões que têm de alguma
forma uma presença no público.
Mas isso não é suficiente
para ser vereador. De jeito nenhum”,
frisa.
Para Vicente, o preparo da
pessoa para exercer o cargo
de vereador independe da profissão.
“Toda profissão tem o
seu respeito. Mas a questão é
outra. Você está preparado para
exercer o cargo? Você entende
de orçamento e da legislação
do município? Você conhece
os planos diretores do
município? Você conhece os
procedimentos da Câmara no
sentido da legalidade? Isso independe
de ser bombeiro, professor
ou pastor”, expõe.
O historiador avalia que
eleitores não entendem a função
do vereador. “Muitos que
votam na segmentação buscam
atender a interesses pessoais
e não coletivos. As pessoas
pensam: ‘Se eu eleger o
pastor, ele vai fazer coisas pela
igreja. Conseqüentemente,
serei beneficiado”, diz.