09 de julho de 2026
Bairros

Corporativismo visa aproximação

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Boa parte dos eleitores de

Bauru deve ter percebido que

muitos candidatos a vereador

nas últimas eleições carregaram

bandeiras corporativas

como forma de se aproximar

de seu público-alvo e buscar

identificação com a comunidade.

Eles fazem questão de

deixar bem claro que são pastores,

professores ou que

atuam na área de saúde, por

exemplo.

“É uma situação muito semelhante

à dos líderes de bairros.

São formas corporativas de

organização: os evangélicos

elegem seu representante, o sindicato

elege seu representante,

os professores elegem seus representante”,

explica Celso

Zonta, especialista em desenvolvimento

de comunidades.

Na opinião dele, o corporativismo

nas eleições não é saudável.

“O que um representante

dos cobradores de ônibus

vai resolver para a categoria

tendo um assento na Câmara

Municipal? Nada. Se ele assume

o cargo, ele vai ser obrigado

a legislar e fazer coisas para

o conjunto da cidade”, diz.

“Por outro lado, nada impede

que o conjunto de cobradores

de ônibus se organizem

e passem a pensar sobre os

problemas da cidade. Só que

geralmente não é assim e eles

carregam bandeiras corporativas”,

acrescenta Zonta.

Para o especialista, o ideal

seria eleger para as cadeiras

da Câmara Municipal representantes

que têm visões mais

gerais da cidade.

O historiador político Maximiliano

Martin Vicente

acredita que se candidatar como

pastor, professor, enfermeiro,

bombeiro, entre outras,

é uma forma de mostrar

envolvimento público.

“Geralmente eles pegam

as profissões de cunho social

e que têm mais reconhecimento

na sociedade - professor,

enfermeiro, bombeiro. São

profissões que têm de alguma

forma uma presença no público.

Mas isso não é suficiente

para ser vereador. De jeito nenhum”,

frisa.

Para Vicente, o preparo da

pessoa para exercer o cargo

de vereador independe da profissão.

“Toda profissão tem o

seu respeito. Mas a questão é

outra. Você está preparado para

exercer o cargo? Você entende

de orçamento e da legislação

do município? Você conhece

os planos diretores do

município? Você conhece os

procedimentos da Câmara no

sentido da legalidade? Isso independe

de ser bombeiro, professor

ou pastor”, expõe.

O historiador avalia que

eleitores não entendem a função

do vereador. “Muitos que

votam na segmentação buscam

atender a interesses pessoais

e não coletivos. As pessoas

pensam: ‘Se eu eleger o

pastor, ele vai fazer coisas pela

igreja. Conseqüentemente,

serei beneficiado”, diz.